FH vai criar mais dois ministérios

Cátia Seabra e Cristiane Jungblut
BRASÍLIA
Disposto a anunciar seu Ministério até quarta-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso já tem duas escolhas confirmadas: Euclides Scalco para a Secretaria de Governo e Élcio Álvares (PFL-ES) para a Defesa. Mas, ainda com dificuldades para acomodar a base, o presidente pretende criar dois novos ministérios. O de Desenvolvimento Urbano - dedicado a habitação e saneamento - que seria destinado ao PFL, e o de Turismo e Esportes, que ficaria como o PSDB. O primeiro compensaria o PFL pela decisão de entregar aos tucanos o superministério do Desenvolvimento, para o qual Fernando Henrique insiste na escolha de Luiz Carlos ou de José Roberto Mendonça de Barros. Ontem, outra decisão estava praticamente tomada. O PTB deverá mesmo ficar fora do Ministério. O atual ministro do Planejamento, Paulo Paiva, telefonou para parlamentares do partido perguntando se eles se contentavam com sua nomeação para a presidência do Banco do Brasil. A possibilidade, no entanto, provocou protestos na bancada do partido, que ameaça ir para a oposição. - Será a desmoralização do PTB. Ficaremos com a pecha do fisiologismo. O partido precisa de visibilidade política - disse o líder do partido na Câmara, Paulo Heslander (MG). No novo Ministério, o PSDB manteria a pasta das Comunicações, reservada para o deputado eleito Pimenta da Veiga (MG) ou para o senador Teotônio Vilela Filho (AL). O nome de Aécio Neves (PSDB-MG) foi cogitado para Turismo e Esportes. O deputado Francisco Dornelles (PPB-RJ) chegou a ser convidado para o cargo, mas teria recusado, por preferir Comunicações. Seu destino não está definido (pode assumir o Trabalho), dependendo de uma reunião de Fernando Henrique com o presidente do PPB, senador Espiridião Amin. Fernando Henrique quer fazer do ministro das Comunicações um articulador político do PSDB, um herdeiro de Sérgio Motta. Para vaga, está praticamente certa a escolha de Pimenta. Sua nomeação também acomodaria os tucanos no Congresso. Antes, seu nome era cogitado para a liderança do Governo na Câmara, o que provocaria uma dança das cadeiras no PSDB. Também mineiro, Aécio, por exemplo, teria que deixar o cargo de líder. - Estamos insistindo para garantir um ministério para Pimenta - disse Aécio. A ida de Aécio para o Turismo também seria uma saída para o presidente. O líder do Governo na Câmara, Arnaldo Madeira (SP), assumiria a vaga de líder do PSDB e daria seu lugar a Pimenta. O Desenvolvimento Urbano seria montado sob medida para Rafael Grecca (PFL), indicado pelo governador do Paraná, Jaime Lerner, para o Ministério. O nome de Grecca foi apresentado sábado pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), que reivindica uma vaga para o PFL do Sul. Ontem, Euclides Scalco, atual presidente da Itaipu Binacional, foi convidado para a Secretaria de Governo num encontro no Alvorada. - O presidente perguntou se eu toparia participar da equipe do Governo dele. Aquilo que ele me determinar, eu atendo - disse ele, na saída. Ex-deputado e coordenador da campanha da reeleição, Scalco foi chamado pelo presidente na noite de sábado. No encontro de ontem, às 15h, Fernando Henrique expôs as modificações que fará. A idéia é concentrar no Planalto, através das secretarias de Governo e de Comunicação Institucional - que ficará com o ex-deputado José Abrão - seus principais colaboradores. Além de Scalco, participaram da reunião os ministros Paulo Renato Souza (Educação) e Pedro Malan (Fazenda). Para a Defesa, a escolha de Élcio é tida como demonstração de gratidão por seu trabalho como líder do Governo no Senado. Mas a escolha recebeu o aval de caciques do PFL, como o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Apesar de Élcio ter perdido a eleição para senador no Espírito Santo para o tucano Paulo Hartung, Fernando Henrique disse a amigos que abriria uma exceção à regra de não nomear derrotados para o primeiro escalão. O presidente conversou com Élcio na quinta-feira, quando explicou que pretendia anunciar o ministro da Defesa juntamente com toda a equipe, apesar de o projeto criando o ministério ainda estar no Congresso. Independentemente de quem seja o ministro, o presidente quer que o escolhido comece um trabalho de aproximação com os ministros militares, que resistem à criação da pasta. - Acho que a escolha do Élcio é certa. Só muda, se houver algum problema na composição final do ministério. É o próprio presidente que está informando o nome dele - disse um cacique do PFL. A criação do Ministério do Desenvolvimento é outro ponto de honra. Fernando Henrique não desistiu de nomear Luiz Carlos Mendonça de Barros, apesar de este ter saído do Governo devido ao escândalo do grampo no BNDES. No PFL, estão acertadas a permanência de Waldeck Ornelas na Previdência e a ida de José Jorge (PE) para Ciência e Tecnologia, além de Sarney Filho para o Meio Ambiente. O nome de Grecca, porém, sofre resistência no PFL baiano. Foi por isso que o presidente acabou fazendo o que não queria: ampliou o número de novos ministérios. COLABOROU Leandra Peres