Campeões de votos garantem Reeleição

Política 5 de outubro - Em pelo menos dez estados a disputa para o governo deverá ser encerrada já no primeiro turno, confirmadas as pesquisas de boca-de-urna e parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Deverão ser reeleitos Tasso Jereissati (PSDB), no Ceará, José Maranhão (PMDB), da Paraíba, Roseana Sarney (PFL), no Maranhão e Jaime Lerner (PFL), no Paraná. Saem derrotados Miguel Arraes (PSB), em Pernambuco e Paulo Afonso (PMDB), em Santa Catarina. A fragorosa vitória de César Borges (PFL) na Bahia tem gosto de reeleição, já que tanto ele como seu antecessor, são pupilos do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Borges, Roseana e Jereissati deverão ser os campeões de votos, superando a casa dos 65%. Borges deverá eleger-se com 70% dos votos, de acordo com o IBOPE. A maior estrela da festa, mesmo sem ser candidato, foi ACM. Ao percorrer a pé os cerca de 500 metros que separam seu apartamento no bairro da Graça do clube baiano de tênis, onde votou, o parlamentar foi seguido por uma multidão de simpatizantes que não poupou palmas, gritos e palavras de ordem em favor dele. Na capital baiana, antigo reduto oposicionista, a resposta da militância da esquerda passou quase desapercebida. Acanhada e com poucas alterações no seu discurso, refletindo a fragilidade pelo qual está passando em todo o País, poucos eram os militantes que disputavam espaço com os situacionistas. Segundo colocado na eleição para governador que deverá entrar para a história do estado por registrar a maior diferença do primeiro para o segundo candidato - as pesquisas indicam mais de 2 milhões de votos - o pedetista João Durval não parecia estar abalado com essa perspectiva. A Bahia é hoje o quarto maior colégio eleitoral do País. Com 7,9 milhões de eleitores, perde apenas para os estados do Sudeste. Na comparação com as eleições municipais de 1996, esse universo registrou um crescimento de 3,89%. Os resultados preliminares da eleição no Ceará não apresentaram qualquer surpresa, apenas confirmaram o que as pesquisas eleitorais indicavam: o governador Tasso Jereissati foi eleito por margem esmagadora. De acordo com pesquisa de boca-de-urna do Ibope, Jereissati conquistou 66% dos votos, enquanto seu principal oponente, o deputado federal e ex-governador Gonzaga Mota (PMDB), obteve 20%. José Airton, do PT, teve 12% e a votação dos demais candidatos, somada, não ultrapassou os 2%, ainda de acordo com o Ibope. O colégio eleitoral do Ceará conta com 4,3 milhões de eleitores. Não fosse a disputa pelo Senado, liderado durante parte da campanha pelo deputado Paes Andrade, do PMDB, as eleições no Ceará seriam lembradas principalmente pela monotonia. Em meados de agosto, o deputado estadual Luís Pontes, candidato do PSDB, reagiu e acabou superando Paes de Andrade na pesquisa de intenção de voto. Ontem, a tendência se confirmou com a vitória de Pontes. O resultado das eleições em Santa Catarina a ser divulgado hoje deverá confirmar projeções de pesquisas 'boca de urna' e de opinião nas últimas semanas, elegendo governador no primeiro turno o senador Esperidião Amin (PPB). Os números davam a ele entre 51% e 59% dos votos válidos. 'Prefiro aguardar o pronunciamento da Justiça Eleitoral', resumiu Amin, da coligação 'Mais Santa Catarina' que ainda deverá eleger senador seu candidato Jorge Bornhausen (PFL). Fernando Henrique Cardoso foi o mais votado para presidente no estado. As fragilidades de Afonso foram amplamente exploradas pelos adversários. Em contra-ataque, o governador, mais jovem do País, com 40 anos, culpou-os pela perseguição no Congresso e acusou as famílias Amim e Bornhausen de terem se unido em torno de um projeto de poder. O senador pepebista responde as acusações de "oligarquia" comparando-se ao casal petista Eduardo e Marta Suplicy, que concorrem respectivamente ao senado e ao governo paulista. Sua esposa, Ângela, é prefeita de Florianópolis. Amin previu que Paulo Afonso perderia para o candidato da Frente Popular, Milton Mendes, em quatro cidades do estado, como Blumenau, governada pelo PT. No Paraná, um atraso no processo de votação impediu o encerramento das eleições no Paraná no horário previsto. Até as 19 horas de ontem mais de 2 mil eleitores ainda não haviam votado em várias seções de duas zonas eleitorais de Curitiba e a previsão era de que o encerramento ocorresse somente após as 20h30. As pesquisas de boca de urna, divulgadas por volta das 19 horas de ontem, davam como certa a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL) ainda no primeiro turno. De acordo com o Ibope, Lerner contabilizava 53% dos votos e o senador Roberto Requião (PMDB), principal adversário, 45%. Outros candidatos 2%. A pesquisa do Data Folha indicava 51% do total dos votos e Requião 39%, outros 1% e em branco 9%. Considerados apenas os votos válidos, Lerner teria 56% e Requião 43%. Requião, que votou por volta das 8h40 e desde o início da campanha apareceu como derrotado no primeiro turno, teceu várias críticas ao sistema de pesquisas. Conforme declarou, dedicará o restante do seu mandato como senador na elaboração de um projeto de lei que altere o sistema de trabalho dos institutos. 'O sistema hoje é muito frágil e suscetível a fraudes. Exemplo disso foi minha última eleição a governador. Até três dias antes da eleição apareci como segundo colocado e fui eleito'. Confiante em sua reeleição ainda no primeiro turno, Lerner disse que o Paraná não tem como ficar de fora da crise econômica internacional, mas que concentrará seu próximo mandato na geração de empregos em todos os níveis. Confirmadas as pesquisas, Lerner continuará num segundo mandato administrando contas apertadas. De acordo com a Secretaria da Fazenda, atualmente 78% das receitas líquidas são absorvidas com o pagamento de pessoal. O serviço da dívida consome 12% e o custeio da máquina administrativa 10%, o que significa que não sobram recursos próprios para investimentos. "Nossa maior preocupação é com o avanço dos inativos sobre a folha. Regimes especiais de aposentadorias engrossam os gastos e o estado ainda é obrigado a repor a vaga", observou o secretário de Planejamento Miguel Salomão.