10/04/2013

Combate à corrupção na FPF ganha aliado na Alepa

Uma comissão de cinco senadores, liderada pelo tucano Mário Couto (PA), vai ao Pará no dia 18 deste mês, para começar a investigar possíveis irregularidades praticadas pela Federação Paraense de Futebol (FPF), que há mais de 20 anos é dirigida pelo coronel da reserva da PM, Antonio Carlos da Lima. Além de Couto, a comissão será formada pelos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Magno Malta (PR-ES), Ivo Cassol (PP-RO) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO).

Aprovada em novembro do ano passado pelo Senado, a comissão parlamentar pretende obter informações detalhadas sobre a "crise institucionalizada" na FPF, que "tem culminado com a decadência do futebol profissional no Estado do Pará e tem sido palco de fortes denúncias de desmando pela atual administração".

Enquanto costurava a formação da comissão, Mário Couto passou as últimas semanas manifestando, da tribuna, sérias críticas à federação. O parlamentar acusa tanto o coronel Nunes quanto o diretor técnico da entidade, Paulo Romano, de prática de corrupção e de comportamento ditatorial, comprometendo o sucesso do futebol paraense.

A luta de Mário Couto para abrir a "caixa preta" da FPF ganhou novo reforço nesta quarta-feira, 10, com a proposta do deputado estadual Alfredo Costa (PT-PA) de instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Pará, para investigar os indícios de corrupção na federação. A iniciativa do petista mereceu elogios de Mário Couto, em discurso no Senado.

"Eu tenho aqui a obrigação de ser justo, presidente. Não temos a mesma ideologia partidária – isto é notório –, mas, num momento como este, eu tenho de ser justo com esse deputado estadual e dizer a ele, em voz muito alta, neste parlamento, o parlamento maior do Brasil: meu nobre deputado Alfredo Costa, se V. Exª estiver me ouvindo, os meus parabéns profundos pela altivez de V. Exª. em verificar, claramente, que existe uma corrupção desenfreada na Federação Paraense de Futebol, molestando e danificando nosso esporte querido, que é o futebol, e trazendo uma tragédia aos maiores clubes paraenses, que são o Remo e o Paysandu, que têm mais de cem anos nas suas histórias".

Para Mário Couto, a iniciativa e preocupação do deputado petista deixam claro que a luta contra a corrupção na FPF está acima dos interesses partidários, ideológicos e pessoais. "A população brasileira, a população paraense, o dinheiro público, o respeito ao povo, tudo está muito acima dos nossos interesses partidários", reforçou o senador, que espera ver na cadeia os dois dirigentes da federação.

Na sessão do dia 2 deste mês, Mário Couto exibiu nota fiscal de compra de passagens aéreas para jogadores de futebol que não deixa dúvidas: Paulo Romano, além de diretor da FPF, é dono da empresa que obriga os clubes a comprarem as passagens. "Está aqui, Brasil, a prova tão cínica de um ato de ladroagem e de corrupção! O faturamento é brutal. O faturamento, só aqui na minha mão, são 23 passagens aéreas compradas, que o clube é obrigado a comprar da empresa desse diretor da federação. Como o Governo do Pará ajuda os clubes, esse valor das passagens já vem descontado na ajuda que o Governo dá para os clubes. Nenhum clube tem direito de comprar passagem área em outra companhia, só na do ladrão Romano! Vai, Romano, vai à Justiça reclamar contra mim. Eu quero levar as testemunhas dos teus atos de ladroagem. Eu quero que a tua prisão seja a mais rápida possível. Eu quero te ver algemado", esbravejou Couto, da tribuna do Senado.

Na avaliação do tucano, não fosse a corrupção na FPF o futebol paraense - especialmente o Remo e o Paysandu, que reúnem duas das maiores torcidas do Brasil - não estaria na crise que vive atualmente. "Os clubes paraenses tradicionais vivem à custa do sacrifício de pagar uma folha de jogadores de R$ 300 mil, R$ 400 mil. Quando se compara a nossa folha com a de outros centros, como Goiás e Ceará, que pagam folhas de R$ 1 milhão com a ajuda das federações, a nossa faz o contrário. A nossa suga os clubes tradicionais. A nossa pisa nos clubes tradicionais. A nossa sangra as rendas de mais de R$ 1 milhão no clássico Remo e Paysandu e devolve aos clubes o que sobra, quando os verdadeiros donos do espetáculo são os jogadores e os clubes, que são os menos ajudados", lamentou Couto.


Fonte: Assessoria de Imprensa

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