Maria do Carmo pede aos senadores que derrubem a medida provisória que extingue a Sudene

07.05.2001

Notadamente revoltada com a Medida Provisória que extingue a Sudene e a Sudam, assinada pelo Presidente da República na semana passada, classificada como ¨fumesta¨ pela Senadora, Maria do Carmo foi a tribuna do Senado Federal para conclamar seus pares a derrubarem a MP, a bem de defender o processo de crescimento nordestino.

Com o objetivo de esclarecer diversas questões que vem sendo reproduzidas pela mídia nacional, especialmente pelos veículos de comunicação do Centro-Sul do país, a Senadora ponderou que as desigualdades brutais que fizeram o Brasil ser conhecido como ¨Belíndia¨ há muito não podem ser creditadas a seca nordestina, pois a tecnologia já conhecida e aplicada em outras regiões de semi-árido tornou possível a convivência amigável entre o homem e a terra. Lembrou, também, o Programa Novo Nordeste, que chegou a ser apresentado ao Presidente FHC em seu primeiro mandato, mas foi arquivado, ainda que menos dispendioso que o tão festejado ¨Programa Alvarada¨que vem sendo implantado no território nacional.

Em relação a SUDENE, Maria do Carmo foi enfática ao afirmar que, em seus 41 anos de existência, o órgão foi um dos grandes responsáveis pelo crescimento do PIB Nordestino de 13 para 16 porcento, além de ter gerado, em seus projetos, mais de quatrocentos e cinqüenta e nove mil empregos diretos e um milhão e quatrocentos mil indiretos. A Senadora lembrou que em todo o período de sua existência a SUDENE recebeu um montante total de 7 bilhões e 270 milhões de dólares, pouco se comparado aos 22 bilhões de dólares gastos, apenas nos últimos dois anos, com o PROER, o conhecido programa de salvamento de bancos falidos.

Comparar os desvios da SUDAM e da SUDENE, como tem sido objetivo daqueles que querem igualar os órgãos, é um erro, diz a Senadora. A maioria dos 653 projetos cancelados ao longo destas décadas deveu-se ao não cumprimento de normas administrativas. Destes, apenas 53 eram comprovadamente irregulares, ou seja , 1,7% de perda de capital, percentual inferior aos 2% aceitos pelo BID.

Maria do Carmo afirmou, ainda, que Fernando Henrique foi leviano ao afirmar, no ato da edição da Medida Provisória, que o Nordeste não sofrerá danos com a transformação da SUDENE em ¨agência de desenvolvimento¨, pois ao acabar com os incentivos fiscais e transformar os fundos de aplicação em verbas orçamentarias, iguala as regiões Norte/Nordeste, as demais áreas do país. Por fim, a Senadora chamou todos os colegas a derrubar a MP, para o bem do Nordeste e do desenvolvimento brasileiro.

Informações fornecidas pelo Gabinete da Senadora