ESPECIAL - 21.09.12
A comissão de especialistas criada no Senado para analisar questões federativas deverá entregar seus trabalhos em 22 de outubro próximo, conforme ato do presidente do Senado, José Sarney, publicado hoje, e que prorroga por 30 dias o último prazo estabelecido. “Não cabe na federação um desequilíbrio que fará ruir o todo. O princípio de dar mais aos que menos têm é o que fará equilibrar a balança da justiça política, social, federativa", apontou o presidente, em abril deste ano, ao instalar a comissão criada por ele, a partir de requerimento do senador Pedro Taque s (PDT-MT).
A preocupação com a fragilidade do pacto federativo, manifestada por Sarney já desde a instalação dos trabalhos legislativos, no início do ano, foi reiterada na solenidade de abril: “Foi nosso desejo entregar nas mãos e na competência dos ilustres membros desta Comissão, a desintegração que pode nos ameaçar, o esgarçamento da relação entre os estados, o que significam Federação e República, intocáveis e cláusula mais que pétrea do nosso pacto social”.
Dívidas
Sob um passado de inflação galopante, a dívida dos estados com a União foram renegociadas, ainda que na sequência da estabilização monetária, mas com base em taxas de juros hoje consideradas absurdas. É o que gera reações intensas, mesmo entre parlamentares que apoiam o governo e o integram, a exemplo da até pouco tempo vice-presidente do Senado, Marta Suplicy (PT-SP), hoje ministra da Cultura.
Guerra fiscal
É que para atrair investimentos, um estado pode favorecer empresas com a redução e até a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), por exemplo. Não raro, esse movimento é imitado por outros estados e potencializado pela oferta de terrenos públicos destinados a abrigar de pequenas fábricas a montadoras de automóveis. É o tipo de disputa que diminui a eficiência econômica do país como um todo, porque feita num contexto em que cada um cria suas próprias regras no que diz respeito à cobrança de impostos.
A par do trabalho da Comissão, o estabelecimento de uma nova relação entre a União, os estados e os municípios avançou na Casa no primeiro semestre. Os senadores aprovaram, em abril, a unificação em 4% das alíquotas do ICMS sobre produtos importados, a partir de janeiro de 2013, pondo fim à guerra dos portos (PRS 72/10). Também foi aprovada a Proposta de Emenda à Constituição, PEC 103/11, que estabeleceu critérios para a distribuição do ICMS do comércio eletrônico, antes recolhido integralmente pelo estado sede da empresa vendedora.
Pacificação
A opção por um projeto elaborado por “notáveis” tem uma segunda motivação: a de que os projetos de lei sejam redigidos sobre alicerce o mais técnico possível, de modo a perseguir um ideal de neutralidade. Quando um senador ou deputado redige um projeto, é natural que favoreça seu estado. Enfim, não ter compromisso com nenhum lado, buscando a pacificação , é a proposta, resumiu um dos membros do grupo. Ao final dos trabalhos, o Senado pretende alicerçar-se nas sugestões que serão apresentadas e elaborar os projetos de lei necessários.
“Esta Comissão deverá examinar o balanço do que fizemos e o quanto estamos longe de alcançar o sonho republicano de reduzir as desigualdades sociais e regionais. É necessário, como dizia Ruy Barbosa, tratar desigualmente os desiguais, para assegurar a igualdade”, insistiu o presidente Sarney ao abordar o “sonho federativo” em seu pronunciamento. E referindo-se à imagem criada por Joaquim Nabuco, comparou: “A beleza da árvore está no desenvolvimento harmônico de suas ramificações, de maneira que todos frutifiquem por igual (...) Pensar na República e na Federação é pensar no Brasil”, defendeu Sarney. A comissão
Completam a comissão os advogados Ives Gandra Martins, Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Marrafon e Paulo de Barros Carvalho; os economistas Fernando Rezende e Sérgio Roberto Rios do Prado; o cientista político Bolívar Lamounier; e o ex-reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Michal Gartenkraut.
(Assessoria de Imprensa com Agência Senado)
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