Conversa Pessoal
Ano VIII - Número 89 - abril - 2008

Nutrição
Colaboração: Jussara Dutra Izac

Boa forma após o parto: o emagrecimento é um processo gradual

Foto de mulher medindo a cintura

A preocupação com os quilos extras adquiridos durante a gravidez, geralmente, é minimizada em função de uma causa maior: o nascimento do bebê. Mas no pós-parto, o excesso de peso ganha uma nova proporção para a maioria das mulheres. A ansiedade natural pelo período delicado põe à prova toda a habilidade feminina. É comum que a mulher fique ansiosa neste período. As alterações hormonais pelas quais a mãe passa durante os nove meses de gestação e as bruscas mudanças hormonais que ocorrem durante e após o parto podem torná-la mais melancólica e angustiada.

Essa labilidade emocional parece se dever à brusca queda hormonal pela qual ela passa ao se separar do feto e da placenta, responsável pela secreção de hormônios em doses altíssimas durante toda a gestação. “Somando-se a todos estes fatores, a mulher também se sente insegura quanto à possibilidade de voltar ao seu peso e às suas formas corporais de antes. Felizmente, após o parto, o peso corporal voltará gradualmente. Basta para isso que ela se alimente de maneira balanceada, priorizando alimentos ricos em nutrientes, evitando guloseimas e comidas gordurosas e, se possível, amamentando o seu bebê” afirma a endocrinologista e nutróloga Ellen Paiva.

“O corpo precisa de um período para se adaptar à nova realidade. Primeiro, ele precisa eliminar o excesso de água, originário da ação dos hormônios placentários. Esse ‘verdadeiro inchaço’ tende a ser lentamente eliminado. Além disso, há também ganho de gordura, que pode ser mobilizado progressivamente através de uma alimentação adequada e da própria amamentação. Voltar ao peso anterior vai depender de bom senso, orientação nutricional e tempo. Um tempo muito importante para mãe e filho. Sem prejuízo para nenhum dos dois”, afirma a médica.

Além de ser fundamental para a saúde do nenê, a amamentação é uma grande aliada da mãe em todos os sentidos. Em primeiro lugar, porque contribui para a contração do útero, que volta aos poucos para o seu tamanho normal. Outro fator positivo é o gasto calórico que proporciona ao organismo. "Para que a mulher produza leite, é preciso ter uma atividade celular intensa. Em função da aceleração do metabolismo, o gasto energético pode aumentar em 900 calorias por dia", informa Ellen Paiva. E como nos primeiros 40 dias, a mulher ainda não está liberada para retomar a ginástica, a amamentação torna-se uma boa aliada em busca do peso ideal, além de firmar o vínculo entre mãe e filho.

Para não prejudicar a própria saúde ou a alimentação do bebê, as mães não devem pensar em seguir dietas hipocalóricas. Segundo a diretora do Citen, um cardápio equilibrado, em torno de 2000 calorias na dependência das proporções corporais da mãe, é fundamental para garantir um bom padrão nutricional para a mãe e para a criança, um bom funcionamento intestinal e uma adequada produção de leite. "A mulher que amamenta precisa garantir a ingestão de todos os nutrientes. É importante aumentar a ingestão de líquidos e evitar grandes quantidades de café, chá preto, chocolates, guloseimas e alimentos com corantes”, recomenda a médica.

Passada a quarentena, após liberação médica, a mulher ganha uma nova aliada na luta contra a balança: a atividade física. "Inicialmente, os exercícios devem ser leves, com duração de 30 minutos a 1 hora por dia, duas vezes por semana. A freqüência e a intensidade poderão progressivamente ser aumentadas para não prejudicar a produção do leite", orienta a endocrinologista. Durante essa fase de readaptação, as modalidades mais indicadas são a caminhada, a bicicleta ergométrica, a hidroginástica e até a musculação, sempre com a supervisão de um profissional.

“Mais do que nunca esse é um tempo onde a perda de peso só deve ocorrer em paralelo a uma boa alimentação, pois a qualidade nutricional do leite depende da qualidade da alimentação materna. O equilíbrio entre nutrientes e calorias consegue alimentar os dois e permitir a volta ao peso ideal da mãe”, afirma Ellen Paiva.

E as plásticas?

Para o cirurgião plástico Ruben Penteado, na maioria dos casos não é preciso recorrer a plásticas para voltar à forma. “Quem engorda o recomendado pelos médicos -12 kg, no máximo- tende a perder quase tudo naturalmente nas primeiras seis semanas”, afirma. Para combater a retenção de líquido no pós-parto, que provoca a sensação de quilos extras na balança, o cirurgião plástico aposta nas massagens. "Elas diminuem o inchaço, melhoram a circulação e relaxam. A drenagem linfática traz uma série de benefícios às mães", diz o médico.

Se em qualquer fase da vida as mulheres sofrem pressão para se manterem magras, não é no pós-parto que escapam desta cobrança. "Nessa fase, o corpo fica fora dos padrões estéticos habituais, e isso tem gerado muita angústia”, afirma Ruben Penteado. Assim como o corpo muda por vários meses durante a gravidez, a volta depois do parto demanda tempo e paciência. “Mas, hoje, as pessoas têm pressa para tudo. Há uma pressão grande da sociedade e dos maridos, mas a maior cobrança vem da própria paciente", afirma o médico.

Quanto à pressão para realização de uma cirurgia plástica, muito comum atualmente, o médico recomenda cautela. “A maior parte das mulheres que engravida volta ao corpo de antes naturalmente. As indicações de cirurgia têm que ser feitas com muito cuidado. É preciso esperar o corpo voltar ao normal e o peso e os hormônios se estabilizarem", diz o médico.

O tempo ideal de espera para quem deseja fazer uma cirurgia plástica, segundo Ruben Penteado, “seria aguardar de três a seis meses após o desmame, por várias razões”, enumera o médico:

- durante a amamentação, os hormônios ainda estão agindo no corpo da mãe retardando o seu retorno “à normalidade”. Este estágio “normal”, ou seja, equilibrado só será atingido no período compreendido entre três/seis meses após a parada da amamentação;

- durante a fase de amamentação, qualquer cirurgia que não seja estritamente necessária deve ser evitada, pois a medicação e os anestésicos tendem a ser transferidos através do leite materno diretamente para o bebê.

“A idéia da interrupção da amamentação apenas com o intuito de realizar uma cirurgia plástica deve ser totalmente descartada pela mãe”, defende Ruben Penteado.

O médico também ressalta que não se deve realizar uma cirurgia plástica em conjunto com o parto, quer este seja normal ou por cesariana. “Como o corpo materno está totalmente modificado, esta condição inviabiliza uma avaliação precisa, requisito essencial para a obtenção de um bom resultado numa cirurgia plástica. Além disto, as alterações hormonais, imunológicas e físicas presentes nesta fase também aumentam o risco de complicações”, afirma o diretor do Centro de Medicina Integrada.

Diante de um impasse estético, “procuramos aconselhar esta paciente, observando que neste período da vida, ela deve ter sua atenção e energias voltadas para uma pronta recuperação do parto, assim ela poderá se dedicar aos cuidados com o bebê e consigo mesma. Portanto, apenas pequenos procedimentos que não comprometam este ciclo da vida podem ser cogitados”, defende Ruben Penteado.



Fonte: Agência Brasileira de Notícias de Saúde - Editoria de Saúde - Márcia Wirth
Imagem:saude.sapo.pt

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