Conversa Pessoal
Ano VI - Número 72 - novembro - 2006

Fique alerta quando o assunto for queimador de gordura

Foto de embalagem de CLA

Medicamentos termogênicos, bloqueadores de gordura ou queimadores de gordura tornaram-se uma verdadeira mania entre quem busca o corpo perfeito. As bulas asseguram que: “Reduz visivelmente a gordura corporal, garante definição muscular, evita o efeito sanfona, ajuda a manter o peso, acaba com a gordura localizada da barriga, tem efeito oxidante (jovem por mais tempo)”.

Pensar que nesses produtos se encontra a solução dos problemas com a balança e adotá-los como verdadeiros milagres, pode ser apenas ilusão. O médico, nutrólogo e terapeuta ortomolecular, José Humberto Gebrim define mais claramente o que são esses medicamentos: “Atuam inibindo a absorção de gordura pelo organismo. Veja que a ação é de diminuir a absorção da gordura pelo corpo humano e não queimá-las. Assim, associados a uma atividade física eficiente e à utilização de uma dieta saudável, perde-se peso. O uso deve ser estabelecido por um profissional de saúde, com a orientação do mesmo. Isoladamente não cumprem o que prometem, falamos de atividade física e orientação nutricional conjuntas”, alerta o médico.

São vários os bloqueadores de gordura comercializados nas farmácias, lojas de suplementos alimentares e internet. A facilidade está ao alcance de todos, mas deve-se atentar para os princípios ativos. Um deles é a efedrina (ativo que acelera o metabolismo, mas causa uma série de efeitos colaterais como taquicardia e pressão alta). Depois vem, a L-carnitina, também conhecida como Fat Burner, um aminoácido que aceleraria a queima de gordura, mas sua eficiência foi derrubada por muitos estudos. Os dois estão proibidos aqui no Brasil.

Outras substâncias estimulantes, como cafeína e taurina também prometem ajudar na perda de peso. A quitosana, que é uma fibra extraída da casca de crustáceos, faz a mesma promessa: impedir a absorção de gordura. Contudo, os nutricionistas ressaltam que o organismo não a absorve. Haveria crises de diarréia.

O Ácido Linoléico Conjugado, mais conhecido por CLA, parece ser o queridinho dos atletas e freqüentadores assíduos de academias, interessados em adquirir o corpo perfeito. O produto, apesar de muito utilizado, não tem comprovação científica sobre sua eficiência. Os primeiros estudos associaram o CLA à redução de gordura do corpo, aumento do metabolismo e até ganho de massa muscular. Isso tudo apenas com a ingestão diária de 4 gramas em cápsulas.

O CLA agiria na enzima responsável por armazenar a gordura ingerida. Sob efeito do produto, esta enzima seria usada como a principal fonte de energia, em vez de estocar nas células e virar aqueles pneuzinhos indesejáveis. Só que a maioria dos estudos tiveram efeito positivo nos ratos. Os resultados no ser humano deixaram a desejar. “Além disso, ainda são testes pouco expressivos, feitos com amostras pequenas que não dão um caráter de comprovação científica”, acrescenta Heloísa Guarita, consultora em nutrição esportiva.

Tem mais: nem todos os CLAs são iguais. Nas pesquisas que mostraram resultado, foi testado o isômero trans 10 cis 12 (as moléculas do CLA são agrupadas de uma forma específica). Isso significa que essa combinação foi considerada a mais eficaz. O problema é que a maior parte das marcas importadas e nacionais que vendem o CLA não cita se é esse isômero mais poderoso que está contido na fórmula.

Como é nomeado de suplemento, pode dar a impressão de se tratar de algo natural e que não traria mal a saúde. A consultora Heloísa alerta que é preciso ter cuidado. Se a pessoa tomar uma dose acima de 2 gramas ao dia pode sentir náuseas. “Se a dosagem diária chegar a 6 gramas, pelo menos dez estudos apontaram para o risco de desenvolver resistência à insulina, o que, a longo prazo, poderia causar diabetes”, complementa.

Como as dúvidas são muitas e os possíveis efeitos colaterais também, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não aprovou o pedido de registro de empresas interessadas em comercializar o CLA. É verdade que em certos casos, mesmo em não se tratando de atletas, a suplementação ou a complementação alimentar são indicadas e, em diversas situações de saúde, pode ser necessário lançar mão desses produtos. “Em todo caso, procure um médico, avalie as suas condições físicas e se optar por suplementos, receba uma opnião profissional, não a do seu amigo da academia ou a do balconista das lojas de suplementos”, ressalta Dr. Gebrim.


Entenda o que é o que

CLA- Ácido Linoléico Conjugado.

O que promete? Auxiliar na redução de gordura corporal, ao aumento do metabolismo e ganho de massa muscular.

Quitosana - é uma fibra formada por um aminopolissacarídeo derivado da quitina, um polímero de ocorrência natural, obtido a partir de exoesqueletos de crustáceos (camarão, lagosta e caranguejo).

O que promete? Auxiliar na redução da absorção de gordura e colesterol. Pessoas alérgicas aos crustáceos devem abster-se.

L - carnitina - é um complexo protéico presente em todas as mitocôndrias do corpo. Este composto de aminoácidos tem recebido atenção por ser um dos responsáveis pela oxidação lipídica, de modo que tem sido vendido como um fat burner. Em indivíduos deficientes de carnitina, sua suplementação é de grande importância, porém, até o momento, não há um acordo sobre sua influência na performance.

O que promete? Energia para atividades musculares.

Efedrina - é um estimulante que age no sistema nervoso central e é amplamente usada como descongestionante nasal e no tratamento de asma. Efedrina é encontrada em muitos produtos populares para emagrecer, alguns dos quais a FDA (Food and Drug Administration - agência norte-americana que regula medicamentos e alimentos) acredita que podem ser perigosos. De fato, a FDA baniu recentemente a venda, embora não a posse, de todos os suplementos alimentares contendo efedrina. A maior parte dos problemas sérios associados à efedrina envolvem pressão alta, a qual pode causar sangramento no cérebro, infarto ou ataque cardíaco. A efedrina HCL, usada como broncodilatador, é considerada um medicamento e não suplemento; de forma que não é alvo do banimento da FDA.

Taurina - é um aminoácido presente em alimentos de origem animal e é também produzida pelo organismo humano. É usada nos energéticos por seu efeito desintoxicador, facilitando a excreção de substâncias pelo fígado que não são mais importantes ao corpo. Outro atributo relacionado a este aminoácido é de poder intensificar os efeitos da insulina, tendo sido responsável por um melhor funcionamento do metabolismo de glicose e aminoácidos, podendo auxiliar o anabolismo.

Cafeína - doses terapêuticas de cafeína estimulam o coração, aumentando a sua capacidade de trabalho e produzindo também dilatação dos vasos periféricos.

Uma xícara média de café contém, em média, cem miligramas de cafeína. Já numa xícara de chá ou em um copo de alguns refrigerantes, encontram-se quarenta miligramas da substância. Sua rápida ação estimulante faz dela poderoso antídoto à depressão respiratória em conseqüência de intoxicação por drogas como morfina e barbitúricos. A ingestão excessiva pode provocar, em algumas pessoas, efeitos negativos como irritabilidade, ansiedade, agitação, dor de cabeça e insônia.

As principais plantas que contem o princípio ativo cafeína são:
- Chá Mate: folhas e talos da Ilex paraguariensis;
- Café: sementes da Coffea arábica;
- Cacau: frutos da Theobraoma cacao;
- Guaraná: frutos da Paulinia cupana;
- Cola: Cola acuminata.



Fontes:

Revista Boa Forma

Dr. José Humberto Gebrim - especialidades: Clínica médica, nutrologia e terapia ortomolecular

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