A partir de seu interesse por pesquisar a vida de Rui Barbosa, Luiz Viana Filho, em realidade, começou uma nova etapa na historiografia biográfica nacional. O primeiro livro, A Vida de Rui, publicado em 1941, o levou inclusive a discutir as bases da biografia, estabelecendo as bases filosóficas para o seu trabalho de investigação e publicação de textos sobre as vidas de outros brasileiros ilustres. Foi assim que, em 1945, publicou A Verdade na Biografia.
Para Luiz Viana Filho, a biografia, como a história, tem que enfrentar um permanente conflito entre as exigências da verdade e as tentações da liberdade ficcional. Procurou ater-se à via histórica, com base em árduo trabalho de pesquisa, de forma que os personagens aparecem como homens de razão e não como heróis da imaginação.
Com a consistência teórica obtida, Luiz Viana Filho publicou, em 1952, A Vida de Joaquim Nabuco, e, dois anos mais tarde, pelo conjunto da sua obra, candidatou-se à cadeira nº 22 da Academia Brasileira de Letras. Nessa época, já era conhecido como “o príncipe dos biógrafos” brasileiros, expressão cunhada por Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Ataíde. Seguiram-se as biografias de Barão do Rio Branco (1959), Machado de Assis (1965), José Bonifácio (1974), José de Alencar (1979), Eça de Queiroz (1984) e Anísio Teixeira (1990), entre outros textos biográficos.
Em todos os biografados que Luiz Viana Filho escolheu estavam sempre refletidas duas facetas que o fascinavam: o homem público e o homem de letras. Dentro dessa perspectiva, rompem-se as barreiras entre “homem público” e “homem privado”, pois ambos são inseparáveis e essenciais para o resultado final, que é o retrato total. “Nada interessa tanto o homem quanto o próprio homem, que continua a ser medida e razão de tudo”, definiu.
Foi assim que Luiz Viana Filho conseguiu observar e respeitar as fases de amadurecimento próprias de cada etapa da vida dos biografados, afastando-se do retrato de heróis acabados. “O herói que ele apresenta é nada mais que um ser humano, com suas grandezas e fraquezas, em sua radical dimensão humana”, afirmou o colega de Parlamento Aloysio Chaves.
“O professor Luiz Viana teve a coragem de tratar os seus biografados como homens, admitindo neles fraquezas, erros, contradições, deficiências, compensadas por virtudes ou talentos excepcionais”, observou o antropólogo Gilberto Freyre.
Mas o biógrafo tinha o seu rendez-vous com a literatura. Não quis traí-la em momento algum. [...] O seu modo de ser biógrafo é de tal modo ortodoxamente biográfico – uma arte, por tradição, literária, quando muito historiográfica – que não lhe permite namoricos nem psicoanalíticos, nem sociológicos. |
FREYRE, Gilberto. Uma biografia aliciante. A Tarde, Salvador, 28 abr. 1979. In: CASTRO, Renato Berbert de. Bibliografia de Luiz Viana Filho: 1930-1985. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1986. p. 256. |
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Numa biografia, é essencial ser tão verdadeira quanto possível. À exatidão dos factos nenhuma concessão pode ser feita, cabendo à arte do biógrafo seleccioná-los e comentá-los de modo a proporcionar nítida imagem do biografado. Essa participação do biógrafo faz cada biografia diferente das demais porventura existentes – é a decorrência da sensibilidade peculiar a cada autor. |
VIANA FILHO, Luiz. Nota liminar. In: VIANA FILHO, Luiz. A vida de Eça de Queiroz. Porto: Lello, 1983. p. 7. |
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Ao tomar posse na Cadeira n. 22 da Academia Brasileira de Letras, em 1955
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