Preciosidade disputada por bibliófilos em sebos e casas de livreiros por todo o país, a coleção de Luiz Viana Filho inclui primeiras edições de obras nacionais de autores consagrados, entre eles clássicos da literatura brasileira como Machado de Assis, Eça de Queiroz, José de Alencar, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Graciliano Ramos.
Destaca-se na coleção o manuscrito com os versos de O casamento do diabo, de Machado de Assis, escrito pelo próprio autor, e publicado anonimamente na Semana Ilustrada, em 29 de março de 1863.
O casamento do diabo
(Imitado do allemão) |
Satan teve um dia a idéa
De casar. Que original:
Queria mulher não feia
Virgem corpo, alma leal.
Toma um conselho de amigo
Não te cases, Belzebú;
Que a mulher, como ser humano,
É mais fina do que tu.
Cortou unhas, cortou rabo,
Cortou as pontas, depois
Sahio o nosso diabo,
Como o heroe dos heroes.
Toma um conselho de amigo
Não te cases, Belzebú;
Que a mulher, como ser humano,
É mais fina do que tu.
Casar era a sua dita;
Correo por terra e por mar,
Encontrou mulher bonita
E tratou de a sequestrar |
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Toma um conselho de amigo
Não te cases, Belzebú;
Que a mulher, como ser humano,
É mais fina do que tu.
Elle quis, ella queria
Poseram mão sobre mão,
E na melhor harmonia
Verificou-se a união.
Toma um conselho de amigo
Não te cases, Belzebú;
Que a mulher, como ser humano,
É mais fina do que tu.
Passou-se um anno, e ao diabo
Não se cresceram por fim,
Nem as unhas, nem o rabo...
Mas as pontas, essas sim...
Toma um conselho de amigo
Não te cases, Belzebú;
Que a mulher, como ser humano,
É mais fina do que tu.
Machado de Assis |

Carlos Drummond de Andrade
- Claro Enigma, 1951
Casimiro de Abreu
- As Primaveras, 1932
Eça de Queiroz
- O Mandarim, 1880
Graciliano Ramos
- Insônia, 1947
Jorge Amado
- A Morte e a Morte de Quincas Berro d´Água, 1967
José de Alencar
- A Noite de São João, 1860
- Guerra dos Mascates, 1871-1873
- Alfarrábios, 1873
- Ao Correr da Pena, 1874
- O Jesuíta, 1875
Machado de Assis
- Chrysálidas, 1864
- Helena, 1876
- Yayá Garcia, 1878
- Tu Só, Tu, Puro Amor, 1881
- Dom Casmurro, 1899
- Esaú e Jacó, 1920?
- Histórias sem Data, 1884
Manuel Bandeira
- Flauta de Papel, 1957
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