Aumenta a desconfiança em FH
Pesquisa do Ibope mostra que 62% dos brasileiros não confiam no presidente
BRASÍLIA - O governo de Fernando Henrique Cardoso alcançou em maio o menor índice de popularidade junto aos brasileiros, segundo pesquisa nacional realizada pelo Ibope e divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os dados apontaram que 44% dos entrevistados consideram a administração de Fernando Henrique ruim ou péssima e apenas 18% têm uma avaliação positiva, entre bom e ótimo. A falta de confiança no presidente é ainda maior: 62% disseram não confiar, contra 35% que confiam em Fernando Henrique. O levantamento foi feito com dois mil eleitores acima de 16 anos em todo o País, entre os dias 13 e 17 de maio, antes das novas denúncias sobre a interferência de Fernando Henrique no leilão das teles para beneficiar determinado consórcio.
Pela primeira vez na série de pesquisas realizadas pelo Ibope/CNI desde 1996, entre os mais pobres a avaliação negativa do governo de Fernando Henrique (39%) supera a positiva (24%). Mesmo com um desgaste político crescente apontado na pesquisa, o presidente Fernando Henrique ainda detém o melhor desempenho entre a classe política. A confiança das pessoas entrevistadas no presidente é maior do que nas outras lideranças e instituições políticas - governadores (32%), prefeitos (29%), Congresso Nacional (24%), partidos políticos (15%) e políticos (12%). Enquanto 86% dos entrevistados disseram não confiar nos políticos, a Igreja Católica foi a instituição que apresentou melhor índice de confiança (75%).
A crise de credibilidade não atinge apenas a classe política: a desconfiança sobre Fernando Henrique é a mesma apresentada com relação aos empresários (62%). Para o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), que também é líder do governo no Senado, a classe política sempre foi "mal afamada" no Brasil, mas o descrédito no presidente Fernando Henrique e em seu governo é decorrência da conjuntura econômica. "Estamos vivendo uma crise econômica sem precedentes na nossa história, como também a capacidade de recuperação da economia", afirmou Bezerra, para argumentar que acredita no resgate da popularidade de Fernando Henrique. "Se é verdade que esse desgaste é em decorrência da crise econômica, eu acredito na recuperação da popularidade do presidente porque confio na recuperação econômica."
Otimismo - A 16ª rodada da Pesquisa CNI-Ibope mostra que aumentou o número de brasileiros que esperam um ano positivo em 1999. De acordo com a pesquisa, realizada com 2000 pessoas entre 13 e 17 deste mês, 61% dos entrevistados disseram esperar um ano positivo. Na última pesquisa, realizada em março, esse índice era de 55%. Os entrevistados entre 16 e 24 anos manifestaram otimismo um pouco maior que os demais. Para 63% dessa faixa, a parte restante do ano será positiva. Entre aqueles com mais de 50 anos, esse índice cai para 45%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o índice dos que esperam resultado positivo foi o mais elevado, com 60%, contra 49% no Sudeste.
Ainda conforme a pesquisa, 54% dos entrevistados estão avaliando o ano como bom e muito bom, contra 43% que vêem perspectiva muito ruim e ruim. Em março, 51% estavam avaliando o ano positivamente. Esses índices demonstram, de acordo com análise feita pela CNI, que ainda há expectativa de melhoras da população para o ano, mas ainda não é possível afirmar se esta é uma tendência que se manterá nos próximos meses.
A pesquisa mostra que 60% dos entrevistados estão satisfeitos com a vida que vêm levando. Mostrou, também, que voltou a aumentar o número daquelas pessoas que disseram que sua vida melhorou depois do Plano Real. Mesmo assim, 40% dos entrevistados afirmaram que nada mudou em relação a sua vida. A proporção dos que declararam que sua vida melhorou muito foi de 9%; dos que acham que melhorou um pouco, 32%; piorou um pouco, 10% e piorou muito, 9%. Em março, a proporção dos que achavam que sua vida tinha melhorado um pouco era de 28%.
Pizza - A pesquisa realizada pelo Ibope em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que os brasileiros estão acompanhando o andamento das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) criadas no Senado para investigar o Judiciário e o sistema financeiro. Mas apontou também o descrédito nas instituições: mais da metade dos entrevistados, que disseram estar cientes dos trabalhos das CPIs, não acredita que as investigações vão resultar em alguma melhora nos dois setores, indicando que vai tuda acabar em "pizza".
Do total de 2 mil entrevistados entre os dias 13 e 17 de maio, 44% tomaram conhecimento da CPI do Judiciário e 55% não sabem de seu funcionamento. Entre os informados sobre essas investigações, menos da metade (45%) acham que os resultados da CPI vão melhorar o Poder Judiciário.
A CPI do Sistema Financeiro alcançou mais popularidade: 53% tomaram conhecimento dela e 47% não tomaram conhecimento. Mas o ceticismo é maior nesse caso: entre os cientes da existência da CPI que investiga os bancos, 49% acham que o sistema financeiro vai ficar como está, ou seja, as investigações vão dar em nada. Apesar do descrédito com relação às CPIs que ainda prevalece, a pesquisa mostrou que o interesse dos brasileiros nos trabalhos parlamentares melhorou. O nível de conhecimento das atuais CPIs é bem maior do que o de comissões de inquérito anteriores, como a CPI dos precatórios sobre a qual 62% da população nem tomou conhecimento, conforme pesquisa. Somente a CPI que investigou o governo Fernando Collor teve tanta expressão junto à opinião pública.
O presidente da CNI e também líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-RN), fez uma avaliação positiva sobre as expectativas dos brasileiros entrevistados pelo Ibope com relação às CPIs. Para Bezerra, que participa das investigações da CPI do Sistema Financeiro, as comissões instaladas no Senado criaram a expectativa na população de que o Judiciário e o funcionamento do sistema financeiro, como a relação do Banco Central com o mercado, vão melhorar. "É muito comum na população o sentimento de que as CPIs vão dar em "pizza", por isso considero positivos esses dados", afirmou Bezerra.