Como a grande maioria das pessoas dá pouca atenção
a isso, é uma das principais armadilhas do texto para ser lido em
voz alta: os plurais em que a palavra muda de pronúncia. E o pior:
não há regras claras. É uma questão de memorizar. Já que não há
alternativa, pela ausência de regras, vamos citar aqui os casos
mais comuns:
PALAVRAS QUE CONSERVAM O "O" FECHADO
NO PLURAL
Acordo, adorno, almoço, alvoroço, bojo, bolo,
cachorro, coco, colmo, consolo, dorso, encosto, engodo, estojo,
ferrolho, forro, golfo, globo, gosto, gozo, lobo, logro (substantivo),
moço, molho, morro, mosto, namoro, piloto, piolho, polvo, potro,
raposa, reboco, repolho, restolho, rolo, rosto, sopro, sogro, suborno,
transtorno, topo, tolo.
PALAVRAS QUE, NO PLURAL, PASSAM A TER "O"
ABERTO
Abrolho, antolho, caroço, choco, coro, corvo, corpo,
despojo, destroço, escolho, esforço, fogo, forno, foro, fosso, horto,
horto, imposto, jogo, miolo, olho, osso, ovo, porco, porto, posto,
povo, poço, porco, reforço, rogo, sobrolho, socorro, tijolo, troco,
troço.
Há ainda outros casos de plural em que a palavra
permanece invariável. Exemplos:
Telex (dois telex), tórax (dois tórax), lápis (dois
lápis), óculos (dois óculos), e mais pires, látex, ônix etc. A exceção
neste caso é a palavra deus, cujo plural é deuses.
Plural é mesmo coisa complicada. Há casos em que
a sílaba tônica muda de lugar. Vamos ver quando. Mas atenção: a
palavra no plural perde o acento gráfico. Nós vamos usá-lo apenas
para mostrar onde está a sílaba tônica:
Caráter - caracteres; lúcifer - lucíferes; sóror
- soróres; uréter - uretéres; catéter - catetéres; esfíncter - esfinctéres;
sênior - senióres; júnior - juniôres; espécimen - especímenes (neste
caso, também cabe espécimens).
Há ainda os casos de palavras compostas. Vamos
ver alguns casos:
a) Quando a palavra é composta com os adjetivos
bel, grã e grão, só o último elemento vai para o plural:
Bel-prazer - bel-prazeres; grã-cruz - grã-cruzes;
grão-mestre - grão-mestres.
b) Também só o último elemento vai ao plural quando
o primeiro termo é um verbo ou palavra invariável:
Ave-maria - ave-marias; abaixo-assinado - abaixo-assinados;
bate-boca - bate-bocas; beija-flor - beija-flores; ex-diretor -
ex-diretores; furta-cor - furta-cores; guarda-chuva - guarda-chuvas;
infra-estrutura - infra-estruturas; pára-brisa - pára-brisas etc.
c) Só o primeiro elemento vai para o plural quando
houver preposição - clara ou oculta. Vejamos os exemplos:
Bicho-da-seda - bichos-da-seda; cavalo-vapor -
cavalos-vapor; coração-de-boi - corações-de-boi; joão-de-barro -
joões-de-barro; pão-de-ló - pães-de-ló.
Há os casos ainda em que essas palavras apresentam-se
sem hífen, como chefe de seção, diretor de departamento, governador
de estado, diretor de banco, dono de empresa etc. A regra continua
valendo: só o primeiro elemento vai para o plural (chefes de divisão,
diretores de departamento, projetos de lei etc.).
d) Quando dois substantivos formarem uma palavra
composta, só a primeira vai ao plural quando a segunda encerra idéia
de fim, espécie ou semelhança:
Atividade-fim - atividades-fim; banana-prata -
bananas-prata; escola-modelo - escolas-modelo; navio-escola - navios-escola;
manga-espada - mangas-espada; licença-prêmio - licenças-prêmio;
salário-família - salários-família.
e) Os dois elementos vão ao plural quando são dois
substantivos, um adjetivo e um substantivo ou vice-versa:
Água-marinha - águas-marinhas; amor-prefeito - amores-perfeitos;
baixo-relevo - baixos relevos; banho-maria - banhos-marias; capitão-mor
- capitães-mores; couve-flor - couves-flores; diretor-adjunto -
diretores-adjuntos; decreto-lei - decretos-leis; país-membro - países-membros;
salvo-conduto - salvos-condutos.