No fim dos anos 60, o locutor da Rádio Nacional
do Rio, uma das melhores escolas de rádio do Brasil, empostou
a voz para a notícia final: "E atenção! Um grave acidente acaba
de acontecer na praça pióx!" Levou um susto e custou a engrenar
o resto da notícia. Gaguejou. Depois do noticiário, o bate-boca
com o redator de plantão: "Não existe praça pióx no Rio! Moro
aqui há 30 anos e nunca ouvi falar nisso!" O redator: "É
a praça da Candelária, idiota. Pio dez! Esse "xis" é dez
em algarismos romanos! Olhe lá no texto: Praça Pio X".
O locutor estava certo. As convenções de texto
para rádio e televisão são diferentes das usadas em texto para impressão.
É que, como dissemos, o texto de rádio e tevê vai ser lido por um
locutor ou por um repórter, e a compreensão deve ser imediata. A
leitura pode ser ao vivo, e não pode haver margem para erro, para
uma má interpretação do que está escrito. Por isso, todo cuidado
é pouco.
Algumas dicas: em caso de datas, prefira a forma
clássica: 15 de março de 1982, por exemplo. O olho já está acostumado
e não há chance de erro. É melhor do que quinze de março de mil,
novecentos e oitenta e dois. Esta forma exige pelo menos uma segunda
leitura. Portanto, escreva as datas sempre da forma indicada, para
facilitar a vida do locutor e do repórter. Portanto, 12 de abril
de 1998, e não doze de abril de mil, novecentos e noventa e oito.
Em caso de números longos ou quantias em dinheiro,
como R$ 15.382.482,20, prefira uma forma mista que facilite a leitura
de primeira. Da forma como está grafado, só com algarismos, a leitura
de primeira vai exigir do locutor um esforço mental que pode atrapalhar
a seqüência do texto, provocar um tropeção desnecessário. Assim,
grafe: 15 milhões, 382 mil, 482 reais. Mesmo que o número longo
não se refira a dinheiro, use esta forma.
Em casos de números referentes a medidas, use também
o bom senso. Por exemplo, evite a seguinte fórmula: 35.200 m2. Escreva
35 mil e 200 metros quadrados. Há ainda outras técnicas, tão velhas
como o rádio, usadas pelos veteranos redatores do Repórter Esso
e outros noticiários. Quando o número se compuser de apenas um algarismo,
escreva por extenso. Por exemplo, cinco, em vez de 5. Com
dois ou mais algarismos, prefira 25 em vez de vinte e cinco.
302 em vez de trezentos e dois.
Para porcentagens, use sempre por extenso a expressão
"por cento". Quando o número tiver apenas um algarismo,
prefira grafar tudo por extenso: cinco por cento; três por cento.
Quando tratar-se de um número com mais de um algarismo, prefira
grafar o algarismo: 25 por cento; 30 por cento etc.