A leitura deixou de ser um hábito, o que piorou
a qualidade da linguagem, escrita ou falada. O texto jornalístico,
à exceção de algumas poucas colunas dos grandes jornais, é muito
ruim. Vícios de linguagem foram incorporados e, falsamente,
pretendem conferir um ar de seriedade e profundidade ao que se diz
ou escreve.
"A nível de" é o exemplo clássico
deste pedantismo trôpego e gramaticalmente equivocado. O uso da
conjunção temporal "enquanto" também abastardou-se.
Passou a ser usada como substituta de "na qualidade de",
ou "como". No mínimo, é também um pedantismo bobo.
Também tornou-se corrente "penalizar"
com o sentido de aplicar penalidade. Penalizar significa inspirar
pena. O correto, jornalisticamente, seria punir.
"Familiares" no lugar do mais adequado
"parentes". Não cabe aqui o argumento de que a língua é
dinâmica e muda de acordo com o uso que dela se faz no cotidiano.
Vejamos, pois:
NUNCA USE USE
aeronave avião
agente da lei policial
agilizar apressar
ancião velho
a nível de em nível
apreciar votar, examinar
chefe da nação presidente da República
colisão, colidir batida, bater
condolências pêsames
causídico advogado
deficiente visual cego
enfermidade doença
esposo, esposa marido, mulher
falecer, faleceu morrer, morreu
falecido morto
familiares parentes
genitora mãe
magistrado juiz
matrimônio casamento
morosidade lentidão
nosocômio hospital
óbito morte
obstaculizar criar obstáculos, dificultar
penalizar punir
pasta ministério
parabenizar cumprimentar, dar parabéns
sepultamento, sepultar enterro, enterrar
trajar vestir
viatura carro, ônibus
vítima fatal morto
dar entrada entrar com, abrir
colônia japonesa comunidade japonesa
disponibilizar oferecer
Nunca use também cujo, que pode ser
substituído desde que a frase seja reescrita, e nem verbos no
gerúndio, metáforas, hipérboles, figuras de linguagem e de estilo
em geral. Tudo isso cabe em textos literários, humorísticos,
cartas íntimas, documentos burocráticos etc. Mas não em textos
jornalísticos para rádio.
Na relação acima, citamos "colônia"
como expressão indesejável, quando relativa a comunidade de
descendentes de estrangeiros no Brasil, por exemplo. Assim, em São
Paulo, temos a comunidade italiana ou japonesa, no Rio Grande do Sul
e em Santa Catarina, a comunidade alemã etc. Colônia tem sentido
político, de dominação de um território ou de uma nação por
país estrangeiro.
É claro que, semanticamente, estaria correto,
porque colônia vem do latim "colo", verbo que na Roma
antiga significava "cultivar", "ocupar a terra",
"morar". Mas historicamente, colonizar assumiu a
conotação política de conquista, de terra conquistada por
estrangeiro. E os descendentes de alemães, de italianos ou
japoneses são hoje brasileiros como quaisquer outros. Igualmente
tola e indesejável é a expressão "afro-brasileiro" para
denominar pessoa negra. Todos são brasileiros, independente da cor
da pele ou da ascendência.
Não use "o titular daquela pasta", ou
da "referida pasta", para designar um ministro. Os
pronomes demonstrativos "aquele", "aquela" ficam
horríveis quando usados para substituir palavras, para evitar
repetições. Quando não houver jeito, é melhor repetir uma
palavra do que usar muletas como essas. Pasta como substituto para
ministério também é simplesmente horrível.
Com relação a pronomes demonstrativos, atenção: em relação
a ano ou dia, use neste ano, neste dia. É que, neste
caso, há a contração da preposição em com o pronome
demonstrativo este.