7 - Expressões indesejáveis

A leitura deixou de ser um hábito, o que piorou a qualidade da linguagem, escrita ou falada. O texto jornalístico, à exceção de algumas poucas colunas dos grandes jornais, é muito ruim. Vícios de linguagem foram incorporados e, falsamente, pretendem conferir um ar de seriedade e profundidade ao que se diz ou escreve.

"A nível de" é o exemplo clássico deste pedantismo trôpego e gramaticalmente equivocado. O uso da conjunção temporal "enquanto" também abastardou-se. Passou a ser usada como substituta de "na qualidade de", ou "como". No mínimo, é também um pedantismo bobo.

Também tornou-se corrente "penalizar" com o sentido de aplicar penalidade. Penalizar significa inspirar pena. O correto, jornalisticamente, seria punir. "Familiares" no lugar do mais adequado "parentes". Não cabe aqui o argumento de que a língua é dinâmica e muda de acordo com o uso que dela se faz no cotidiano. Vejamos, pois:

NUNCA USE USE

aeronave avião

agente da lei policial

agilizar apressar

ancião velho

a nível de em nível

apreciar votar, examinar

chefe da nação presidente da República

colisão, colidir batida, bater

condolências pêsames

causídico advogado

deficiente visual cego

enfermidade doença

esposo, esposa marido, mulher

falecer, faleceu morrer, morreu

falecido morto

familiares parentes

genitora mãe

magistrado juiz

matrimônio casamento

morosidade lentidão

nosocômio hospital

óbito morte

obstaculizar criar obstáculos, dificultar

penalizar punir

pasta ministério

parabenizar cumprimentar, dar parabéns

sepultamento, sepultar enterro, enterrar

trajar vestir

viatura carro, ônibus

vítima fatal morto

dar entrada entrar com, abrir

colônia japonesa comunidade japonesa

disponibilizar oferecer

Nunca use também cujo, que pode ser substituído desde que a frase seja reescrita, e nem verbos no gerúndio, metáforas, hipérboles, figuras de linguagem e de estilo em geral. Tudo isso cabe em textos literários, humorísticos, cartas íntimas, documentos burocráticos etc. Mas não em textos jornalísticos para rádio.

Na relação acima, citamos "colônia" como expressão indesejável, quando relativa a comunidade de descendentes de estrangeiros no Brasil, por exemplo. Assim, em São Paulo, temos a comunidade italiana ou japonesa, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a comunidade alemã etc. Colônia tem sentido político, de dominação de um território ou de uma nação por país estrangeiro.

É claro que, semanticamente, estaria correto, porque colônia vem do latim "colo", verbo que na Roma antiga significava "cultivar", "ocupar a terra", "morar". Mas historicamente, colonizar assumiu a conotação política de conquista, de terra conquistada por estrangeiro. E os descendentes de alemães, de italianos ou japoneses são hoje brasileiros como quaisquer outros. Igualmente tola e indesejável é a expressão "afro-brasileiro" para denominar pessoa negra. Todos são brasileiros, independente da cor da pele ou da ascendência.

Não use "o titular daquela pasta", ou da "referida pasta", para designar um ministro. Os pronomes demonstrativos "aquele", "aquela" ficam horríveis quando usados para substituir palavras, para evitar repetições. Quando não houver jeito, é melhor repetir uma palavra do que usar muletas como essas. Pasta como substituto para ministério também é simplesmente horrível.

Com relação a pronomes demonstrativos, atenção: em relação a ano ou dia, use neste ano, neste dia. É que, neste caso, há a contração da preposição em com o pronome demonstrativo este.