A tradição no texto de rádio e televisão prevê
o desdobramento com pontos, letra por letra, das siglas que não
formem palavras. E a grafia sem pontos das siglas que tenham sonoridade
redonda.
Por exemplo: I.N.P.S., porque cada letra deve ser
pronunciada isoladamente. E Inamps, porque forma uma palavra pronunciável.
Assim, teríamos I.P.V.A, I.P.T.U., e ainda Sunab, Conab, Detran.
O objetivo era evitar que o locutor tivesse dúvidas.
Trata-se, no entanto, de um rigor excessivo seguir
os velhos manuais de rádio e televisão neste princípio. Assim, dispensam-se
os pontos nos casos de siglas conhecidas e de uso comum, como IPVA,
IPTU, BNDES, FGTS etc. Ninguém vai ter dúvidas sobre a sigla, principalmente
no contexto da frase.
Vamos instituir, pois, o reinado do bom senso.
É claro que, no caso de siglas desconhecidas ou mais complicadas,
devemos ter a maior clareza possível na hora de escrever. No caso
do Banco Mundial, por exemplo, nunca devemos escrever Bird, a sigla
oficial. Fica muito mais claro Banco Mundial. O BID deve ser tratado
como Banco Interamericano de Desenvolvimento, para evitar dúvidas.
As siglas estrangeiras devem ser explicadas, e
não traduzidas literalmente. Por exemplo, "O FBI, a polícia
federal dos Estados Unidos", ou "a ETA, a organização
terrorista basca", ou "a KGB, a antiga polícia secreta
soviética". Tudo isso, no entanto, fica dispensável no caso
de siglas conhecidas, como FMI, ONU etc. Cabe sempre o bom senso.
No caso do FED, o Federal Reserve, use assim mesmo, "o Federal
Reserve, o banco central norte-americano" - fica mais claro
para quem ouve.