5 - Estilo

Há ainda formações inadequadas de frases que confundem o ouvinte - são verdadeiras armadilhas. Por isso, repetimos: leia em voz alta e verifique se está claro, se não há margem para duplos sentidos, para interpretações equivocadas. Vamos a alguns exemplos de frases mal formuladas:

Empresários reclamam do abandono do governo...

A construção da frase sugere que o governo, e não os empresários, está abandonado. Seria melhor:

Empresários pedem ao governo mais atenção...

Vamos a outro exemplo:

O candidato à presidência da Comissão de Assuntos

Econômicos do PMDB...

O PMDB não tem uma Comissão de Assuntos Econômicos. Ficaria melhor assim:

O candidato do PMDB à presidência da Comissão de

Assuntos Econômicos...

É fácil, portanto, constatar a impropriedade com uma rápida leitura em voz alta, ou com maior cuidado. Um outro exemplo de má formulação:

O senador quer isolar o autor deste tipo de crime da

sociedade...

Fica a dúvida: a sociedade é a autora do crime? Claro que não. Assim, chega-se a um melhor resultado desta forma:

O senador quer isolar da sociedade o autor deste

tipo de crime..

Um último comentário sobre estilo: é comum o uso de pleonasmos já incorporados à linguagem, mas que ficam ruins e um texto jornalístico. "De comum acordo", por exemplo, é redundante. Prefira só "acordo". "Inovação recente" também é pleonástico.

São também redundâncias "planos futuros", "sair para fora", "velha tradição", "beco sem saída", "discussão tensa", "imprensa escrita" e uma infinidade de vícios de linguagem que devemos evitar. Nada de usar abreviaturas. É famosa a história do locutor que, em 1970, leu general Costa em vez de Gal Costa, a cantora, que iniciava a carreira. É que as abreviaturas levam o locutor a este tipo de confusão.