Há ainda formações inadequadas de frases que confundem
o ouvinte - são verdadeiras armadilhas. Por isso, repetimos: leia
em voz alta e verifique se está claro, se não há margem para duplos
sentidos, para interpretações equivocadas. Vamos a alguns exemplos
de frases mal formuladas:
Empresários reclamam do abandono do governo...
A construção da frase sugere que o governo, e não
os empresários, está abandonado. Seria melhor:
Empresários pedem ao governo mais atenção...
Vamos a outro exemplo:
O candidato à presidência da Comissão de
Assuntos
Econômicos do PMDB...
O PMDB não tem uma Comissão de Assuntos Econômicos.
Ficaria melhor assim:
O candidato do PMDB à presidência da Comissão de
Assuntos Econômicos...
É fácil, portanto, constatar a impropriedade com
uma rápida leitura em voz alta, ou com maior cuidado. Um outro exemplo
de má formulação:
O senador quer isolar o autor deste tipo de crime
da
sociedade...
Fica a dúvida: a sociedade é a autora do crime?
Claro que não. Assim, chega-se a um melhor resultado desta forma:
O senador quer isolar da sociedade o autor deste
tipo de crime..
Um último comentário sobre estilo: é comum o uso
de pleonasmos já incorporados à linguagem, mas que ficam ruins e
um texto jornalístico. "De comum acordo", por exemplo,
é redundante. Prefira só "acordo". "Inovação recente"
também é pleonástico.
São também redundâncias "planos futuros",
"sair para fora", "velha tradição", "beco
sem saída", "discussão tensa", "imprensa escrita"
e uma infinidade de vícios de linguagem que devemos evitar. Nada
de usar abreviaturas. É famosa a história do locutor que, em 1970,
leu general Costa em vez de Gal Costa, a cantora, que iniciava a
carreira. É que as abreviaturas levam o locutor a este tipo de confusão.