4 - Lead

O lead já é um senhor de mais de 40 anos, mas continua inabalável porque é uma solução perfeita para jornal, rádio e televisão. No rádio e na tevê ele tem um outro nome, cabeça do locutor.

Ou seja, o principal da notícia, o fato de maior impacto, é o que vem na frente para chamar a atenção do leitor, do telespectador ou do ouvinte. Para obrigá-lo a prestar atenção no que vem a seguir, nos detalhes.

Como ainda pode ser visto nos melhores jornais ou visto/ouvido nos telejornais de maior apuro técnico, quem dá a notícia é o locutor. O repórter vem a seguir com as informações, os detalhes, com a reportagem em si. Por exemplo:

O senador Lúcio Alcântara comentou hoje as mudanças que o governo fez na Lei de Doação de Órgãos. As mudanças foram decididas pelo ministro da Saúde, José Serra. A reportagem é de Fulano de Tal:

Ficou sem lead. O correto, com o uso do lead, que dá maior impacto e clareza à notícia, seria assim:

O senador Lúcio Alcântara disse hoje que as mudanças do governo na Lei de Doação de Órgãos anulam todas as vantagens e avanços da nova Lei. Por decisão do ministro da Saúde, José Serra, a família de uma pessoa morta tem agora que autorizar a retirada de órgãos. Mesmo que se trate de um doador presumido. A reportagem é de Fulano de Tal:

Vamos ver outra matéria sem o lead e que, por isso, perde o impacto, a objetividade:

A Comissão Assuntos Sociais reuniu-se hoje de manhã para analisar e votar vários projetos. A reportagem é de Beltrano de Tal:

O ideal é que a cabeça da matéria traga logo a notícia, a informação principal, o resultado da reunião. Ou o que de mais importante foi aprovado, ou decidido:

A Comissão de Assuntos Sociais aprovou agora há pouco o projeto de lei que garante às empregadas domésticas todos os direitos trabalhistas da CLT. O repórter Beltrano de Tal acompanhou:

A melhor forma de dar uma notícia de economia, de política, de assuntos que envolvam a atividade legislativa ainda é a tradicional, com o velho e bom lead em ordem direta. Frases curtas, vocabulário preciso, em estilo coloquial - o mais próximo possível do que se usa no dia-a-dia. Mas sem o uso de gírias, apelidos - o chamado Português culto.

Uma boa maneira de se encontrar logo o lead é armar a matéria mentalmente antes de coloca-la no papel, com a velha pergunta: "o que é que há de mais importante neste material?" Ou usar o velho macete: lembrar das perguntas "quem, quando, onde, como e por que", não necessariamente nesta ordem, mas preferencialmente nela.