O lead já é um senhor de mais de 40 anos,
mas continua inabalável porque é uma solução perfeita para jornal,
rádio e televisão. No rádio e na tevê ele tem um outro nome, cabeça
do locutor.
Ou seja, o principal da notícia, o fato de maior
impacto, é o que vem na frente para chamar a atenção do leitor,
do telespectador ou do ouvinte. Para obrigá-lo a prestar atenção
no que vem a seguir, nos detalhes.
Como ainda pode ser visto nos melhores jornais
ou visto/ouvido nos telejornais de maior apuro técnico, quem dá
a notícia é o locutor. O repórter vem a seguir com as informações,
os detalhes, com a reportagem em si. Por exemplo:
O senador Lúcio Alcântara comentou hoje as
mudanças que o governo fez na Lei de Doação de Órgãos. As mudanças
foram decididas pelo ministro da Saúde, José Serra. A reportagem
é de Fulano de Tal:
Ficou sem lead. O correto, com o uso do
lead, que dá maior impacto e clareza à notícia, seria assim:
O senador Lúcio Alcântara disse hoje que as
mudanças do governo na Lei de Doação de Órgãos anulam todas
as vantagens e avanços da nova Lei. Por decisão do ministro
da Saúde, José Serra, a família de uma pessoa morta tem agora
que autorizar a retirada de órgãos. Mesmo que se trate de um
doador presumido. A reportagem é de Fulano de Tal:
Vamos ver outra matéria sem o lead e que,
por isso, perde o impacto, a objetividade:
A Comissão Assuntos Sociais reuniu-se hoje
de manhã para analisar e votar vários projetos. A reportagem
é de Beltrano de Tal:
O ideal é que a cabeça da matéria traga logo a
notícia, a informação principal, o resultado da reunião. Ou o que
de mais importante foi aprovado, ou decidido:
A Comissão de Assuntos Sociais aprovou agora
há pouco o projeto de lei que garante às empregadas domésticas
todos os direitos trabalhistas da CLT. O repórter Beltrano de
Tal acompanhou:
A melhor forma de dar uma notícia de economia,
de política, de assuntos que envolvam a atividade legislativa ainda
é a tradicional, com o velho e bom lead em ordem direta.
Frases curtas, vocabulário preciso, em estilo coloquial - o mais
próximo possível do que se usa no dia-a-dia. Mas sem o uso de gírias,
apelidos - o chamado Português culto.
Uma boa maneira de se encontrar logo o lead
é armar a matéria mentalmente antes de coloca-la no papel, com a
velha pergunta: "o que é que há de mais importante neste material?"
Ou usar o velho macete: lembrar das perguntas "quem, quando,
onde, como e por que", não necessariamente nesta ordem, mas
preferencialmente nela.