Ano VIII - Número 90 - maio - 2008

Mundo Animal
Colaboração: Viviane Castro

Bichos como a gente

Foto de três gatos

Mais do que nunca, os donos tratam seus animais de estimação como se fossem humanos e, numa inversão de valores, acabam sendo “adestrados” por eles. A dúvida é: até onde vai o limite do carinho e começa o exagero?

Naquela manhã, em 2005, a apresentadora Ana Maria Braga não se conteve em frente às câmeras. O choro entrecortava as palavras que tentavam descrever a dor causada pela perda da sua cadelinha Cléo, que morrera afogada na piscina. Lágrimas e emoção públicas que dividiram o país. Um grupo se comoveu, o outro se indignou. Um caso que ilustra bem a controvérsia causada pelo amor dedicado aos bichos de estimação. Para César Ades, psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), essa “nova sensibilidade” não está restrita ao universo dos cães e gatos, já que os homens incluíram na agenda temas como a conservação de espécies ameaçadas, as iniciativas de defesa do bem-estar dos animais e a luta pela ética nas pesquisas.

Bastante comum, a perda das funções renais em gatos é causada por complicações do quadro de rins policísticos, má alimentação ou falta de ingestão de água. “A prevenção consiste em visitas periódicas ao veterinário, em especial a partir dos seis anos de idade”, diz a veterinária Letícia Figueiredo. Outra atitude preventiva é o controle da quantidade de líquido ingerido.

A ascensão dos pets à categoria de nobres membros da família é uma tendência mundial que, a cada ano, incorpora adeptos, encanta psicólogos e movimenta um mercado bilionário em produtos e serviços – só no Brasil R$7,3 bilhões em 2007, para se ter uma idéia. No país, as estimativas apontam para uma população de 29 milhões de cães e 14 milhões de gatos. Cerca de 60% dos brasilienses têm um animal de estimação. Em meio a eles, uma minoria que está longe de levar a famosa “vida de cão”. A cadelinha Gabi, por exemplo, uma maltês de quase dois anos, “filha” da secretária Lúcia Rocha, 53 anos, ganhou de presente recentemente uma minitelevisão portátil, que a distrai nos momentos de tédio. Um luxo, evidentemente, que nem todos os proprietários de cães e gatos podem – ou querem – pagar. Alguns, inclusive, condenam os excessos.

Os donos de animais ouvidos pela Revista Têm um discurso comum: usam palavras como amor, carinho, companheirismo e fidelidade para descrever a relação. No contato marcado por lambidas e fagos, eles encontraram um afeto incondicional, cada vez mais raro no universo dos homens.

A vez dos bichanos
Companheirismo é uma das qualidades dos bichos mais exaltadas por seus donos. Nesse quesito, há quem acredite que os gatos saem perdendo. Mas a nutricionista Claudia Rita Araújo, 40 anos, dona de três gatos persas, se esforça em desmontar a teoria: “Se à noite eu tenho insônia e venho para a sala assistir à televisão, quando me dou conta, os gatos estão todos aqui ao meu lado”, conta. Ela engrossa o fã-clube que cresce a olhos vistos. “Nos Estados Unidos, o número de gatos já é maior do que o de cachorros”, estima a veterinária Giovana Mazotti.

“Já tive cachorro e me sentia sufocada. Você chega em casa cansada e obrigatoriamente tem que dar atenção, brincar”, compara Claudia. Ela sempre gostou de animais e fez algumas tentativas antes de optar pelos gatos – desde um cocker que quase destruiu seu apartamento a hamsters e peixes. Primeiro veio o persa cinza, Belucci, hoje com sete anos, que logo se tornou xodó dela e dos filhos Thayana e Rodrigo. Depois chegou Mel, e mais recentemente Miuky. “Eles têm um temperamento muito forte, parecem gente às vezes”, diverte-se.

O texto acima é apenas um trecho da matéria publicada na Revista do Correio (de 24/02/2008, ano 3, número 145).


Fonte: Revista do Correio - Da Redação
Texto: Amanda Cieglinski e Erica Andrade
Imagem: www.petdobred.com.br

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