1. "Fica Marinho"

Dezenas de minifaixas com esses dizeres estão afixadas
nas bordas do gramado central da Esplanada dos Ministérios. Trata-se de
apelo de servidores para que o atual ministro da Previdência e Assistência
Social, Luiz Marinho, permaneça no comando daquela pasta. Ao que tudo
indica, Sua Excelência pretende licenciar-se no segundo semestre para
concorrer ao cargo de prefeito municipal de São Bernardo, o B do ABC paulista.
Os correligionários do ex-sindicalista deram o recado, mas à custa de
terem cometido um assassinato culposo: mataram o indefeso do vocativo.
O Marinho da mensagem está recebendo um apelo. Nesse caso, a
evocação é separada por vírgula: Fica, Marinho. Se o chamamento
for dramático, pode-se até acrescentar um ponto de exclamação: Fica,
Marinho! A ausência da vírgula nesse caso talvez não gere nenhuma
confusão, pois a comunicação ali é de curta extensão. Imagine, porém,
uma construção de maior fôlego, tal como: A faca afiada corta Magda.
Assim escrita ou falada, com apenas uma interrupção (a final), somos
informados de algo que já ocorreu. Se quisermos, contudo, dar um alerta
para que a incauta da Magda não verta sangue, devemos fazer uma pausa
imediatamente antes de seu nome: A faca afiada corta, Magda.
No primeiro caso, Magda é objeto direto. No segundo, temos um vocativo.
Assim, aplique-se ali uma vírgula, acrescida eventualmente de exclamação:
A faca afiada corta, Magda!
2. "Construo, constrois, constroi, construimos, construis, constroem"
O Presente do Indicativo do verbo construir desenrola-se da seguinte maneira: construo, constróis (ou construis), constrói (construi), construímos, construís, constroem (ou construem). Seguem também esse paradigma os verbos destruir, reconstruir, etc.
3. "Eu, tu e Valéria ficamos hospedados na Pousada do Sossego"
Nos sujeitos compostos em que aparecem duas ou mais pessoas gramaticais, o verbo é flexionado pela pessoa predominante. A primeira se sobrepõe à segunda, e esta à terceira. Na oração acima, a construção segue essa orientação. Há três pessoas – Eu, tu e Valéria. Como aparece elemento da 1ª pessoa gramatical – Eu – as demais a acompanham. Como a flexão vai para o plural, segue-se que o verbo ficar deve ser flexionado para a 1ª pessoal do plural – ficamos. Observe como se conjuga o verbo quando aparecem apenas a 2ª e a 3ª pessoas (tu e Valéria): Tu e Valéria ficastes hospedados na Pousada do Sossego. Note que ficastes está na segunda pessoa do plural, já que tu tem ascendência sobre Valéria (terceira pessoa). Tem-se aceitado, entretanto, a flexão para essa terceira pessoa: Tu e Valéria ficaram hospedados na Pousada do Sossego. Mais exemplos: Eu, tu e Maria Rosa estabelecemos um pacto de sangue; Ada, eu, Heloísa e vós todos combinamos um almoço para esta sexta-feira. João Ricardo, Ana Lúcia e tu fareis/farão a prova lá no Cefor. May, Morbach, Alexandre e tu, Pedro, trabalhais/trabalham na Revista da Casa.
4. "Teogenes e Téo"
Gramaticalmente, deve-se escrever Teógenes e Teo. Aquele, por ser proparoxítono, leva acento tal como Pitágoras e Mônica. Teo (como Leo e Cleo) não deve ser acentuado, pois é dissílabo terminado em eo. Confunde-se este com eu, que leva acento, sim: Cecéu e Leléu.
5. "Mulherzinhas"
O plural dos diminutivos em zinho é formado acrescentando-se zinhos ao plural do substantivo primitivo menos o S: árvore – árvores – arvore(s)zinhas – arvorezinhas; ave – aves – ave(s)zinhas – avezinhas; igual – iguais – iguai(s)zinhos – iguaizinhos; pão – pães – pãe(s)zinhos – pãezinhos; coração – corações – coraçõe(s)zinhos – coraçõezinhos; flor – flores – flore(s)zinhas – florezinhas; bar – bares – bare(s)zinhos – barezinhos; mulher – mulheres – mulhere(s)zinhas – mulherezinhas. No entanto, com os substantivos terminados em R e Z, principalmente, já se aceitam os diminutivos plurais sem o E ou Z e E intermediários: florezinhas ou florzinhas; barezinhos ou barzinhos; colherezinhas ou colherzinhas; rapazezinhos ou rapazinhos; capatazezinhos ou capatazinhos.
Consulte também:
http://intra/houaiss/
Novo Manual da Redação - FolhaOnline
Conjugador virtual de verbos
Imagem:www.ovg.org.br
Fonte: Jairo Luis Brod, servidor da Câmara dos Deputados, professor de Língua Portuguesa –
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