Adeus aos chefes autoritários. Gestão do futuro é lastreada no afeto

Os dias dos chefes autoritários e centralizadores estão contados. Os modelos de gestão embasados num pensamento linear, baseado em relações de causa e efeito, de cima para baixo, também seguem o mesmo destino. As considerações acima podem ser vistas como polêmicas e, portanto, questionáveis. Mas, na visão do médico e biólogo chileno Humberto Maturana, fundador do Instituto Matríztico, tanto o centralismo autoritário, comum a muitos gestores, quanto os sistemas lineares, são antinaturais.
Para mudar os paradigmas, Maturana propõe algo calçado nas relações afetivas, no amor e na reflexão mútua, com o objetivo de disseminar o bem-estar, buscando uma integração com o que ele chama de antroposfera – tudo que é produzido pelo homem – e a biosfera – a natureza. Ouvindo-o falar, pode-se pensar em filosofia oriental ou em cristianismo. Mas o PhD. pela Universidade Harvard nega uma possível influência de alguma corrente religiosa e provoca: “Jesus era um biólogo”.
A despeito de descartar qualquer influência filosófico-religiosa em seu trabalho, Maturana diz que o que suas teorias trazem não têm nada novo. Tudo isso é, na verdade, uma redescoberta da própria natureza humana, ou seja, um retorno aos sistemas sistêmicos, que se baseiam nas emoções, distantes da linearidade, fruto das relações de causa e efeito.
“Falo em origem da família, em que o amor aparece em âmbito biológico, há cerca de 3 milhões de anos; isso prova que somos seres amorosos, por natureza, e as diversas culturas, ao longo da história, mudam essa realidade”, explica Maturana.
Embora tenha desenvolvido bastante teoria sobre os sistemas sistêmicos, Maturana, de 79 anos e autor de cerca de 30 livros, não oferece fórmulas prontas. Segundo ele, que, na última quinta-feira, ministrou palestra no 16º Seminário Internacional em Busca da Excelência, realizado em São Paulo, a estrutura do sistema não passa de um formato, que pode receber diferentes informações. Seria algo como uma rede, que vai se moldando conforme o que é colocado sobre ela.
Para efetuar essas transformações, diz Maturana, não há segredo, basta apenas que os modos de se conversar mudem. Segundo ele, o pensamento linear é sustentado por conversações de obediência, que carregam em si insegurança e falta de respeito do transmissor e do receptor. O modelo de conversação que pode conectar as corporações ao sistema sistêmico é a conversa colaborativa, apoiada em confiança e respeito mútuo e que traz tanto ao receptor quanto ao transmissor o bem-estar físico e psicológico.
Ao atingir esse nível de comunicação, a sociedade deixaria de viver na pós-modernidade e atingiria o que Maturana chama de pós-pós-modernidade. Nesse caso, os líderes perderiam sua força e os gestores seriam inspiradores. “É o fim da liderança e o início de uma gestão co-inspirada”, decreta. Nesse caso, todos têm de participar dos processos.
Quando se ouve uma palestra de Maturana, podemos pensar que ele dá às companhias o papel de vilãs de uma história com mocinhos e bandidos. “Falar em bem e mal é voltarmos ao pensamento linear”, analisa. Para ele, não existem empresas ruins ou doentes. “Elas funcionam como têm de funcionar”, avalia.
Colocando todos como parte de uma mesma teia, o PhD diz que há um erro em ver as empresas como algo isolado da sociedade. “Elas não são artificiais”, diz. “Tudo o que é humano faz parte da antroposfera.”
Sendo assim, segundo Maturana, antes de apontarmos para os defeitos das companhias que trabalhamos, devemos olhar para nós mesmos a fim de iniciarmos uma mudança. E, para ele, a transformação já começou. “O simples fato de podermos falar sobre o tema é um sinal.”
Madri, 8 de Maio de 2008 (Gazeta Mercantil)
Os líderes têm grande impacto na produtividade da empresa e na satisfação de seus profissionais, o que pode ajudar a manter os melhores empregados. Os funcionários sob as ordens de chefes "emocionalmente" inteligentes são mais eficientes, mais produtivos e gozam de melhor saúde do que aqueles que têm chefes "medíocres". Além de provocar estresse no trabalho, estes últimos podem aumentar os riscos de seus empregados sofrerem de hipertensão ou ataques cardíacos.
A constatação foi divulgada pelo psicólogo e assessor de recursos humanos norte-americano Kenneth Nowack durante recente conferência do Colégio Oficial de Psicólogos de Madri. Para Nowack, que é membro do grupo de pesquisa de inteligência emocional, que tem como referência o pesquisador Daniel Goleman, existe uma íntima relação entre a saúde dos funcionários e o desempenho de suas funções.
"Os empregados expostos à um estresse prolongado causam mais baixas às empresas e são menos produtivos", destacou Nowack que, entre outros motivos, atribui essa enfermidade ao fato de terem chefes "inadequados". Em sua opinião, os líderes das empresas e sua inteligência emocional têm um "grande impacto" na produtividade e satisfação de seus profissionais, ao mesmo tempo que são capazes de reter os talentos dentro da companhia.
Os profissionais comandados por chefes "emocionalmente" inteligentes são "mais competentes e refletem menos estresse no trabalho", ao contrário daqueles dirigidos por chefes "mais pobres", que confessam sua intenção de abandonar a empresa em menos de um ano. Em números, os grupos de trabalho mal-geridos são, em média, 51% menos produtivos e 44% menos rentáveis do que os que são bem-dirigidos.
Aumento do estresse
O pesquisador apontou, entretanto, que o estresse deve ser avaliado individualmente, uma vez que a percepção das situações de estresse diferem de indivíduo para indivíduo.
O mesmo se passa com a capacidade de liderança, impulsionada "pela genética em um terço dos fatores que a determinam". "Há líderes naturais que mantêm seus empregados em uma atitude ativa", acrescentou Nowack, afirmando ainda que um novo âmbito da pesquisa poderá estabelecer se existe "uma biologia da liderança". Nessa linha de pensamento, explicou que há um hormônio, a oxitocina, mais abundante em mulheres que têm filhos, que estimula a participação, a sociabilidade e o trabalho em equipe.
Todavia, não apenas os líderes com menor inteligência emocional provocam estresse - e a conseqüente perda de rendimento no trabalho - , uma vez que há também outros fatores que podem influenciar a personalidade dos profissionais, tais como a falta de exercícios físicos, uma má alimentação, as relações de trabalho ou as condições do sono. "Se você dormir duas horas a menos do que você necessita, sua capacidade de concentração e trabalho será afetada consideravelmente", assegurou o pesquisador.
Fonte e imagem: www.canalrh.com.br - Maio de 2008 - Fernando Busian e Gazeta Mercantil - Expansión)
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