O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse, nesta quarta-feira (24), que o Senado tem a obrigação de instalar a CPI da Petrobras na próxima semana, pois não há mais pretexto para adiar essa medida. Enquanto se adia esse momento, observou o senador, novos fatos surgem e novas denúncias são veiculadas pela imprensa.
Como exemplo, Alvaro Dias citou a iniciativa do procurador da República Mário Lúcio Avelar, que pediu à Justiça Federal de Cuiabá a quebra do sigilo telefônico do gerente-executivo de comunicação institucional da Petrobras, Wilson Santa Rosa. Ele também citou reportagem do jornal O Globo, sobre investigação da ligação de Santa Rosa com os "aloprados". Outra denúncia que o senador quer ver investigada pela CPI é o repasse de recursos para a agência de publicidade que fez a campanha eleitoral do PT e do atual governador da Bahia.
- Outra revelação, também na área de publicidade da Petrobras, é que uma sindicância interna revelou irregularidades que determinaram demissões. Esse relatório não chegou ao conhecimento público. Consta que uma funcionária, insuspeita e independente, coordenou essa sindicância surpreendendo seus superiores. Temos que requerer, através da CPI, o relatório dessa sindicância para as providências necessárias - acrescentou.
O senador Antonio Carlos Junior (DEM-BA) disse, em aparte, que novas denúncias contra a Petrobras estão surgindo a todo o momento e mostram a promiscuidade da empresa com ONGs para fins escusos. "Temos muita coisa para investigar", afirmou.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que nessa mesma área de publicidade da Petrobras recursos de cerca de R$ 1 bilhão estão sob a responsabilidade de apenas uma pessoa e "rios de dinheiro são jogados fora". Jereissati assinalou que 75% das festas patrocinadas pela empresa forma organizadas por prefeituras da Bahia.
- Nós é que estamos em defesa da Petrobras, que não está acima dos três Poderes da República. Há o risco de uma desmoralização política se não investigarmos - alertou.
Alvaro Dias também disse que o Brasil atingiu a estabilidade econômica graças aos esforços de diversos governos e não há como ignorar isso. No entanto, ele observou que, apesar das afirmativas otimistas dos senadores governistas, o governo Lula desperdiçou as maiores oportunidades para alavancar o crescimento econômico, quando o mundo estava num momento de grande desenvolvimento e de bonança.
- Seria injusto não reconhecer que o governo Lula tem o mérito de ter sustentado as metas básicas do plano de estabilização. Ou seja, não promoveu retrocesso em matéria de estabilizar a economia do país. Este mérito nós reconhecemos - afirmou.