Temer reeleito na Câmara

Base aliada faz trégua na disputa por comissões e reconduz pemedebista à presidência
EUGÊNIA LOPES E ILIMAR FRANCO
BRASÍLIA - O deputado Michel Temer (PMDB-SP) foi reeleito ontem presidente da Câmara, em meio a uma crise dos partidos da base aliada. O motivo da briga foi o assédio do PMDB sobre os deputados do PSDB, do PFL e do PPB. Mas as divergências entre os partidos aliados do governo foram temporariamente contornadas e Temer conseguiu se reeleger com 422 votos. Na primeira eleição, em fevereiro de 1997, obteve apenas 257 votos. No discurso de posse, Temer convocou os deputados a legislarem "com os olhos voltados para as agruras da ruas". Defendeu o debate de temas nacionais e pregou independência maior do Legislativo. Temer se comprometeu a votar a emenda constitucional que limita o poder do presidente da República para editar medidas provisórias. "A exceção não pode se transformar em regra", afirmou. Ameaça - A reeleição do presidente da Câmara foi tranqüila, apesar da crise surgida há três dias na base aliada. O PSDB, o PFL e o PPB ameaçaram lançar candidato, se o PMDB não desistisse de contabilizar os novos deputados filiados ao partido na composição das comissões especiais e na relatoria dos projetos mais importantes. A briga tornou-se pública ontem. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, do PMDB, reagiu às declarações do líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG). Anteontem, o líder tucano havia dito que o PMDB só parou de aliciar parlamentares por interferência do presidente Fernando Henrique Cardoso. Antes, o líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA), bateu boca com o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga. Na reunião que fechou o acordo da reeleição, o PMDB queria igualdade com o PFL e o PSDB, respectivamente a primeira e segunda bancadas da Câmara, na escolha das relatorias. Itamar - "Nós demos a presidência da Câmara para o PMDB", argumentou Pimenta. "E nós demos a presidência da República para o PSDB. Ou vocês esqueceram que nós impedimos a candidatura do Itamar Franco à presidência da República? Se isso tivesse ocorrido, a eleição presidencial teria segundo turno", rebateu Geddel. Para tentar acalmar os ânimos, o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), entrou em campo. "Já conversei com o Geddel e vou conversar com o Pimenta. Nós precisamos baixar a bola", disse. No sábado, o líder do PMDB também se irritou com o secretário de Relações Institucionais, Eduardo Graeff, que lhe telefonou reclamando do procedimento do partido para conseguir novas filiações. Segundo o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Graeff disse que o PMDB estava usando "métodos heterodoxos" para cooptar deputados. "Olha, métodos heterodoxos disseram que foram usados durante a aprovação da emenda da reeleição pelo falecido ministro Sérgio Motta. Se vocês quiserem reabrir esse debate, podemos fazer isso", ameaçou Geddel. Acordo - O regimento interno estabelece que a presidência da Câmara cabe ao partido com maior bancada. Em 1997, foi feito um acordo para eleger Temer na Câmara e Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) na presidência da Senado. O PFL é o maior partido na Câmara, mas o PMDB tem a maior bancada de senadores. Além de Temer, os deputados Heráclito Fortes (PFL-PI), Severino Cavalcanti (PPB-PE), Ubiratan Aguiar (PSDB-CE), Nelson Trad (PTB-MS) e Efraim Morais (PFL-PB) foram reeleitos para os cargos que ocupavam na mesa da Câmara. Jacques Wagner (BA) substituiu Paulo Paim (RS) na vaga que cabe ao PT.