Senado Federal | Agência Senado
 
Labirintite

Perda do equilíbrio pode ser sinal de labirintite

As labirintopatias são distúrbios que ocorrem quando o labirinto, o ouvido interno – órgão responsável pelo equilíbrio e audição –, é afetado. O que é popularmente conhecida como labirintite é, na verdade, uma infecção ou inflamação do labirinto, uma labirintopatia de ocorrência rara. Conheça nesta edição do Especial Cidadania os sintomas, causas e tratamentos indicados para as doenças do labirinto.

Distúrbio pode ter diversas causas

Os problemas que afetam o labirinto e comprometem o equilíbrio causando tontura ou vertigem podem ter diversas origens, desde alterações nas estruturas do sistema vestibular até problemas clínicos em outros órgãos ou sistemas. Possíveis origens de problemas no labirinto:

– traumatismos de cabeça e pescoço;

– infecções (por bactérias ou vírus);

– drogas ou medicamentos (nicotina, cafeína, álcool, maconha, anticoncepcionais, sedativos, tranquilizantes, antidepressivos, anti-inflamatórios, antibióticos etc.);

– alimentação com excesso de gordura, sal e açúcar;

– tumores;

– envelhecimento;

– distúrbios vasculares (hiper ou hipotensão arterial, arteriosclerose);

– doenças metabólicas (endócrinas: hipercolesterolemia, hiper ou hipoglicemia, hiper ou hipoinsulinemia, hiper ou hipotireoidismo);

– anemia;

– problemas cervicais;

– doenças do sistema nervoso central;

– alergias;

– distúrbios psiquiátricos.

As labirintopatias mais comuns são as seguintes:

– vertigem postural paroxística benigna: breves e repentinos episódios de vertigem e/ou enjoo aos movimentos da cabeça;

– neurite vestibular: vertigem aguda, intensa e prolongada, com náuseas e vômitos. Pode ser de origem inflamatória ou infecciosa (viral);

– doença de Ménière: crises vertiginosas, diminuição da audição e sensação de pressão no ouvido;

– otites, viroses e remédios ototóxicos (danosos ao ouvido): são as mais comuns na infância;

– cinetose (mal do movimento): tonturas, náuseas, vômitos eventuais, palidez e suor que ocorrem quando a pessoa está em um veículo em movimento por conta do conflito de informações entre o sistema proprioceptivo (informando que o corpo está parado) e o labirinto (informando que há movimento);

– surdez súbita e vertigem: a perda auditiva surge, habitualmente, em um dos ouvidos e tem causas diversas, como infecções por vírus, traumas cranianos ou acústicos, doenças auto-imunes, vasculares, tumores etc. Podem ocasionar tontura de vários tipos;

– esclerose múltipla: doença crônica e progressiva do sistema nervoso central.

Tontura e zumbidos são sintomas

Também conhecido como ouvido interno, o labirinto é formado pela cóclea – responsável pela audição – e pelo vestíbulo, que está relacionado ao equilíbrio. De acordo com a otorrinolaringologista Luciana Novellino, as pessoas definem como labirintite a vertigem, uma tontura com características rotatórias, que ocorre quando há alterações no equilíbrio.

O equilíbrio do corpo depende do funcionamento do labirinto e de sua comunicação com os sistemas ocular, proprioceptivo (músculos e articulações) e nervoso central. O médico Arnaldo Linden, mestre em otologia e professor de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, explica que o sistema labiríntico recolhe os impulsos de todos os sensores, e o sistema nervoso central recebe essas informações para serem analisadas. Se as informações forem conflitantes, a pessoa pode ter tontura e enjoo.

Sintomas como tontura, desequilíbrio, surdez ou zumbido podem ser sinais de comprometimento do labirinto. A tontura – que é a sensação errônea de movimento do corpo em relação ao ambiente ou o contrário – tem origem labiríntica em 85% dos casos, mas também pode ser de origem visual, neurológica ou psíquica.

Tratamento visa atingir fatores que provocam o mal

O diagnóstico das labirintopatias é feito por uma avaliação otoneurológica que inclui o estudo da história clínica do paciente (informações detalhadas sobre sua tontura e outros sintomas, antecedentes pessoais e familiares, hábitos de vida, medicações e preferências alimentares), exames complementares (sangue, urina, radiológico) ou avaliações em outras áreas médicas, como endocrinologia, neurologia, cardiologia e psiquiatria, e uma sequência de testes auditivos e de equilíbrio corporal (testes labirínticos). A tomografia computadorizada e a ressonância magnética também são exames importantes a serem realizados.

O tratamento etiológico (da causa) é sempre mais eficaz que aquele que se propõe somente a eliminar os sintomas, com medicamentos sedativos e repouso. Conheça as medidas que devem ser tomadas em conjunto, segundo o otorrinolaringologista Arnaldo Linden, para garantir o sucesso do tratamento das labirintopatias:

– procurar eliminar ou atenuar a causa da tontura;

– utilizar com critério os medicamentos antivertiginosos (usados no tratamento das tonturas com a função de deprimir o sistema labiríntico). Os remédios devem ser prescritos de acordo com o diagnóstico médico e baseados nas reações orgânicas e psíquicas de cada paciente;

– personalizar os exercícios de reabilitação do equilíbrio: a reabilitação vestibular reajusta as relações entre os sinais enviados pelas estruturas responsáveis pela manutenção da postura corporal (labirinto, olhos, pele, músculos e articulações). São exercícios repetitivos com os olhos, a cabeça e o corpo que aceleram a compensação vestibular, ativando a neuroplasticidade – mecanismo natural em que o sistema nervoso tenta recuperar sozinho o equilíbrio quando ocorre uma lesão no vestíbulo. Estudo publicado pela Revista Brasileira de Otorrinolaringologia em março de 2008 conclui que, quando bem indicada e seguida pelo paciente, a reabilitação vestibular é um método terapêutico eficaz no tratamento de labirintopatias em poucas sessões;

– correção de práticas alimentares que podem agravar a vertigem e sintomas associados;

– mudança de hábitos ou vícios que possam ser fatores de risco, como o uso de açúcares de absorção rápida, café, álcool e fumo;

– cirurgia da vertigem: destinada a casos específicos (tumores, fracassos do tratamento clínico em certas doenças), em combinação, ou não, com as medidas citadas anteriormente.

Saiba mais

ABC da Saúde Informações Médicas Ltda.

Av. Júlio de Castilhos, 44, 14° andar
Centro – Porto Alegre (RS)
CEP 90030-130
(51) 3225-2259
abcdasaude.com.br
gerencia@abcdasaude.com.br

Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (responsável pela Revista Brasileira de Otorrinolaringologia)

Av. Indianópolis, 740 – Moema
São Paulo (SP) – CEP 04062-001
(11) 0800 7710821 e 5052-9515
rborl.org.br

 

 
Agência Senado - Senado Federal | E-mail: agencia@senado.gov.br
Praça dos Três Poderes, Anexo I, 20.º andar.
70165-920 - Brasília DF