O projeto de lei (PLS 91/04)
da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa
(CLP) do Senado propõe vedar a cobrança de assinatura básica
pelas prestadoras de serviço telefônico e que o consumidor
pague apenas pelos pulsos que usar. O PLS partiu de uma
sugestão popular e, no momento, encontra-se na Comissão
de Serviços de Infra-Estrutura, para manifestação quanto
ao mérito.
Com o mesmo objetivo, o deputado Marcelo Teixeira (PMDB-CE)
apresentou o Projeto de Lei da Câmara 5.476/01, atualmente
na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio
da Câmara, aguardando a criação de uma comissão especial
para analisar o assunto. O projeto, já aprovado pela Comissão
de Defesa do Consumidor, tramita em conjunto com mais oito
propostas sobre o assunto.
A Anatel já enviou parecer oficial ao Congresso Nacional
manifestando-se contra o fim da assinatura básica em razão
da necessidade de compensação. Segundo o parecer da agência,
caso a assinatura seja extinta, deverá ocorrer um realinhamento
tarifário e um aumento no valor dos cartões de orelhão,
para equilibrar a receita das empresas. Cerca de 40% do
faturamento do setor vêm da assinatura básica.
Cobrança na Justiça
Além da possibilidade de o Congresso extinguir a assinatura
básica, sua cobrança vem sendo contestada na Justiça. Desde
2000, foram propostas ações coletivas por entidades de defesa
do consumidor e pelo Ministério Público em cerca de 60 varas
das justiças estadual e federal, e mais cerca de 80 mil
ações propostas individualmente por assinantes nos juizados
especiais ou na Justiça estadual. A Anatel, alegando o risco
de decisões contraditórias sobre o mesmo assunto, ingressou
com um conflito de competência no Superior Tribunal de Justiça
(STJ) e, em janeiro, o STJ decidiu centralizar na 2ª Vara
Federal do DF todas as ações coletivas sobre assinatura
básica. Em março e abril, o tribunal concentrou no mesmo
foro também as ações individuais contra a cobrança da tarifa
por quatro das empresas que operam no país, por solicitação
dessas operadoras. O STJ decidiu ainda que os processos
fiquem sobrestados (suspensos), e que as questões urgentes
sobre o tema passem a ser resolvidas também pela 2ª Vara
Federal do DF.
Valores e impostos
De 1995 a 1999, a assinatura básica era R$ 0,66. Com a privatização,
subiu para R$ 10 e os aumentos tornaram-se anuais. Hoje,
39,5 milhões de assinantes pagam cerca de R$ 36,35 por ela,
ou seja, a questão envolve cerca de R$ 1,4 bilhão por mês.
Sobre a assinatura básica e o restante da conta ainda incidem
impostos como o ICMS estadual (alíquotas de 25% a 35%) e
os tributos federais Cofins (3%) e PIS (0,65%).