14/11/2012 - CPMI da violĂȘncia contra as mulheres
CPMI constata no MS fragilidades no atendimento Ă s mulheres
Em sua passagem pelo Mato Grosso do Sul a ComissĂŁo Parlamentar Mista de InquĂ©rito (CPMI) que investiga a ViolĂȘncia Contra Mulher manifestou preocupação com a fragilidade das polĂticas pĂșblicas especĂficas para as mulheres indĂgenas, negras e quilombolas. A CPMI decidiu, ainda, convocar para depor, em BrasĂlia, a secretĂĄria estadual de SaĂșde, Beatriz Figueiredo Dobashi e pedir informaçÔes especĂficas as autoridades governamentais e do Poder JudiciĂĄrio a respeito de açÔes no municĂpio de CorumbĂĄ.
As informaçÔes foram solicitadas depois da CPMI receber denĂșncias de que no municĂpio de CorumbĂĄ o Poder JudiciĂĄrio solicita duas testemunhas para que medidas protetivas sejam concedidas as mulheres, o que contraria a Lei Maria da Penha.
JĂĄ a convocação da secretĂĄria estadual ocorreu porque ela nĂŁo atendeu ao convite para depor na audiĂȘncia pĂșblica realizada, nesta terça-feira (13/11), na Assembleia Legislativa (ALMS). Participaram da audiĂȘncia a relatora da CPMI, senadora Ana Rita (PT-ES) e a vice-presidenta, deputada Keiko Ota (PSB-SP).
IndĂgenas - Em Mato Grosso do Sul, a comissĂŁo recebeu denĂșncias de casos de violĂȘncia domĂ©stica e familiar nas aldeias indĂgenas, de descaso no atendimento as mulheres e recusa dos ĂłrgĂŁos do Estado em atender as vĂtimas, alĂ©m da falta de pessoal nas unidades de saĂșde e nos ĂłrgĂŁos ligados Ă segurança pĂșblica para um atendimento especifico, como interpretes para ajudar nos relatos no momento do registro dos boletins de ocorrĂȘncia.
As lideranças indĂgenas reclamaram da omissĂŁo das autoridades locais e do governo do Estado, denĂșncias reforçadas, tambĂ©m, em reuniĂŁo da CPMI com o Movimento de Mulheres do Estado.
âQueremos dar um basta na violĂȘnciaâ, disse a presidenta do Conselho Municipal de Direito e Defesa dos Povos IndĂgenas de Campo Grande, Alicinda TibĂ©rio em reuniĂŁo anterior Ă audiĂȘncia pĂșblica com as integrantes da CPMI.
Chorando ela disse que a falta segurança nas aldeias entristece as Ăndias e cobrou maior ação da UniĂŁo e do Estado do Mato Grosso do Sul.
Alicinda lamentou a ausĂȘncia nas delegacias comuns e especializadas de interpretes para traduzir e entender os relatos das Ăndias vĂtimas de violĂȘncia e de abusos sexuais.
As denĂșncias foram feitas por lideranças KaiowĂĄ, Guarani e Terena de aldeias espalhadas por todo o Estado. Elas reclamaram, ainda, das dificuldades enfrentadas por Ăndias acampadas em assentamentos e afirmaram que nas fronteiras do Estado Ăndias sĂŁo espancadas pelos maridos Ăndios e, tambĂ©m, por nĂŁo Ăndios.
De acordo com Marlene Almeida, Ăndia KaiowĂĄ, da aldeia Sucuri Y, em Maracaju, cinco mulheres do local vivem, hoje, em situação de violĂȘncia domĂ©stica.
âQuando uma criança e uma mulher Ă© espancada o Conselho Tutelar e as delegacias nĂŁo querem atender. Eles dizem que nĂŁo Ă© competĂȘncia do Estado, mas da UniĂŁo cuidar da segurançaâ, relatou.
As Ăndias cobraram atendimento especializado e diferenciado para as mulheres vĂtimas de violĂȘncia. Elas reclamaram, ainda, que os policiais âdebochamâ dos relatos.
A CPMI fez diligĂȘncias na Delegacia Especializada de Atendimento Ă Mulher, ao Centro de ReferĂȘncia no Atendimento Ă Mulher, ao Poder JudiciĂĄrio e a Promotoria PĂșblica de Campo Grande, alĂ©m de visita ao governador AndrĂ© Puccinelli, a subsecretĂĄria de estado da Mulher, Tai Loschi e a aldeia urbana indĂgena Ăgua Bonita, em Campo Grande.
Falta de pessoal â No Estado, tambĂ©m, foi constatada a inexistĂȘncia de um organismo forte e independente como uma Secretaria Estadual da Mulher e nĂșmero insuficiente de delegacias especializadas em Campo Grande e interior para melhor atender, em geral, as mulheres vĂtimas de violĂȘncia.
Na audiĂȘncia pĂșblica, a CPMI ouviu os depoimentos do secretĂĄrio estadual de Segurança PĂșblica, Wantuir Francisco Brasil Jacini; do desembargador Hildebrando Coelho Neto, presidente do Tribunal de Justiça; do diretor da Coordenaria de ViolĂȘncia DomĂ©stica e Familiar do Tribunal de Justiça, Ruy Celso Barbosa Florense; da titular da 48ÂȘ Promotoria de Justiça, Ana Lara Camargo de Castro e da subdefensora pĂșblica, Nancy Gomes de Carvalho.
Pelo Movimento de Mulheres prestaram depoimentos Susy Guarani, da Associação Kaguateca IndĂgena Marçal de Souza e coordenadora de Mulheres IndĂgenas e a presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Cristiane Duarte.
O secretĂĄrio de Segurança PĂșblica informou ao ser questionado que mais de 400 perĂcias foram feitas em aldeias indĂgenas, entre elas, uma recente, referente a Ăndia M.B.R. estuprada por nĂŁo Ăndio, na regiĂŁo de Iguatemi.
Ao responder sobre as denĂșncias do Movimento de Mulheres IndĂgenas de que os ĂłrgĂŁos estaduais de segurança se recusam a entrar nas aldeias, o secretĂĄrio informou que a prevenção cabe Ă UniĂŁo. âNĂŁo temos competĂȘncia para agir nestes casosâ, justificou.
Entre as recomendaçÔes feitas ao Estado para melhorar este atendimento estĂĄ a necessidade de capacitaçÔes permanentes aos profissionais e atendimento especĂfico aos Ăndios.
Justiça - Outro problema encontrado foi o excesso de processos tramitando na Vara de ViolĂȘncia DomĂ©stica e Familiar. âIsto certamente levarĂĄ a prescrição de muitos deles, o que Ă© a total negação do acesso das mulheres Ă Justiçaâ, afirmou a relatora.
O desembargador Coelho Neto confirmou a instalação, no prĂłximo dia 23, Ă s 14h, da 2ÂȘ Vara de ViolĂȘncia DomĂ©stica. âConsideramos esta uma atitude importante do Poder JudiciĂĄrio do estado do Mato Grosso do Sulâ, disse a relatora.
Hoje, tramitam pela Vara Especializada mais de sete mil processos, nĂșmero bem acima das varas criminais e de famĂlia que, em geral, nĂŁo passam de 1,5 mil.
O presidente do TJ foi indagado, tambĂ©m, sobre as decisĂ”es de considerar âcrime de bagatela imprĂłpriaâ os delitos de violĂȘncia domĂ©stica, contrariando frontalmente a Lei Maria da Penha e determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), de fevereiro deste ano.
Ana Rita destacou, ainda, o esforço dos operadores do direito da Vara de ViolĂȘncia DomĂ©stica, da Promotoria da ViolĂȘncia DomĂ©stica e da Defensoria da ViolĂȘncia DomĂ©stica para aplicar corretamente a Lei Maria da Penha.
O prĂłximo estado a ser visitado pela CPMI serĂĄ o Amazonas. A comissĂŁo estarĂĄ em Manaus nos dias 22 e 23 de novembro.
Imprensa do Mandato da Senadora Ana Rita (PT-ES)
Michelle Araujo â (61) 3303-1129 e 8191-8566
Adriana Miranda â (61) 8593-5569
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