Ex-ministro faz críticas ao governo

Lydia Medeiro
Da equipe do Correio
O mais oposicionista dos governadores, o mineiro Itamar Franco, vai receber a cúpula do PMDB governista para condecorar o ex-deputado e ex-presidente do partido, Paes de Andrade (CE), pedra teimosa no caminho do presidente Fernando Henrique Cardoso. Festa impensável há pouco mais de um ano, quando Paes e Itamar brigavam com o senador Jader Barbalho (PA), o deputado Geddel Vieira Lima (BA) e o ministro Eliseu Padilha (Transportes). A disputa faz parte do passado. Eles estarão todos juntos no próximo dia 8, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. O ato é simbólico, mas não significa que o PMDB passou à oposição. Mostra um partido preocupado com o futuro e em mutação, disposto a ganhar o poder na eleição presidencial de 2002. Na nova fase, o PMDB elegeu um porta-voz para as mudanças: o senador Renan Calheiros (AL), que assumiu ontem a presidência da antiga Fundação Pedroso Horta, rebatizada de Fundação Ulysses Guimarães — uma mudança baseada em pesquisa de opinião sobre a popularidade do partido. Na posse, Renan, ex-ministro da Justiça que deixou a Esplanada de mal com o Planalto, caprichou nas críticas. Bateu nos juros altos, no desemprego, na economia em baixa. ‘‘As insatisfações crescentes impõem o retorno histórico do PMDB, para aplacar, como tem feito ao longo dos últimos 30 anos, a desconfiança e a insegurança do povo em relação aos destinos do país. O PMDB não é partidário da estratégia da terra arrasada’’, disse. Na sala da liderança do PMDB no Senado, em torno da mesa oval de granito preto ornada com um arranjo de rosas vermelhas e lírios brancos, aplaudiam Renan os ministros Padilha, Fernando Bezerra (Integração Regional), Ovídio de Angelis (secretário de Políticas Urbanas), o governador do Piauí, Francisco de Moraes, o Mão Santa, o próprio Paes de Andrade e o recém-lançado candidato à presidência senador Pedro Simon (RS), entre outros.
DITADURA
Antes dos salgadinhos, Jader Barbalho, presidente do partido, anunciou o plano peemedebista: ganhar as ruas, usando as lições da luta contra a ditadura para acabar com a injustiça social. ‘‘Não vamos ficar só no Congresso. O partido tem que percorrer o país’’, explicou Jader, garantindo que a vontade das bases será expressa nos votos dos parlamentares. Como primeira proposta, Renan sugeriu a vinculação de verbas do orçamento da União, estados e municípios à segurança pública, como na área de educação. Nas suas andanças pelo país, não terá dificuldades para mudar a retórica oposicionista. Desde que voltou ao Senado, com a reforma ministerial de julho que o afastou do cargo após longo processo de fritura, tem se ocupado em bater no governo. Atacou propostas para abrandar o Código de Trânsito e bradou denúncias contra o governador de São Paulo, Mário Covas, acusando-o de favorecer empresa paulista em licitação. No novo papel, terá um arsenal a seu dispor: jornal, revista temática, seminários, encontros, telemarketing, Internet, rádio e, prometeu, para o futuro próximo, até TV por assinatura.