César se decide pelo PTB

Ex-prefeito do Rio escolhe o 45° aniversário da morte de Vargas para anúncio
DANIELA SCHUBNEL
Sete dias depois de ter deixado o PFL, o ex-prefeito do Rio César Maia confirmou ontem que o seu novo partido é o PTB. A decisão já estava tomada desde sexta-feira, mas César escolheu o 45° aniversário do suicídio de Getúlio Vargas, maior símbolo da história do partido, para o anúncio. "Para nós (do PTB) este dia é muito simbólico, há uma coincidência de energias", explicou o ex-prefeito, que assina a ficha de filiação sexta-feira, no diretório municipal. Com César, ingressam no PTB os deputados federais Rodrigo Maia, seu filho, e Eduardo Paes; os deputados estaduais Solange Amaral e Eider Dantas e os vereadores Paulo Cerri, Rui César, Índio da Costa e Alexandre Cerruti. "Vamos fazer oposição aos governos Garotinho e Conde", afirmou Rodrigo Maia. Em Brasília, no entanto, os dois parlamentares cesaristas prometem manter o apoio ao governo federal, com o deputado Roberto Jefferson como líder na Câmara. Acusação - Ex-PDT e ex-PMDB, César Maia refutou a acusação do prefeito Luiz Paulo Conde de que seria um homem sem partido. "É a opinião dele, é respeitável. Na verdade, quando fui do PDT, era do PTB, inicialmente. Ajudei a construir o PMDB e o PFL no Rio, que antes de mim não eram nada. Mas, como não trabalho com máquina partidária, não corrompo delegados, acabo saindo. Vou construindo o partido e eles vão se apossando", disse César, para quem os partidos "têm que ser orgânicos". Provável candidato à Prefeitura do Rio na eleição de 2000, César Maia acredita que a configuração de forças que apoiou Sérgio Cabral Filho em 1996 pode se reproduzir no ano que vem, desta vez com seu nome incluído. Naquela época, PPB, PMDB, PTB, PL, PMN e PSC se aglutinaram em torno do PSDB contra Luiz Paulo Conde, então candidato de César. "Minhas conversas são no sentido de fazer um esforço de convergência para 2000. Todos têm candidato, lá na frente vamos compor", desconversou. Encontros - Por isso César não dispensou conversas durante a semana em que ficou sem partido. Ainda na manhã de ontem, tomou café da manhã com o ex-governador Marcello Alencar e os presidentes regional e municipal do PSDB, Luiz Paulo Corrêa da Rocha e Otávio Leite. Na noite de domingo foi à casa do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, do PPB, e, anteontem, encontrou-se com o senador Artur da Távola, recém-saído do PSDB. "Mas ele ainda não quer tomar nenhuma decisão." O encontro com o deputado Sérgio Cabral Filho, agora no PMDB, também foi "muito bom", segundo César. "Quando ele voltar da lua-de-mel, vamos continuar conversando na mesma linha." O ex-prefeito estendeu o tapete inclusive para o PFL. "Se estiverem abertos para conversar, da minha parte não existem dificuldades. A idéia é uma aliança em torno de objetivos comuns, de uma continuidade", disse. A divulgação de uma nota do diretório municipal do PPS repudiando seu suposto ingresso no partido provocou um contato por telefone com Sérgio Arouca, presidente regional do partido. "Marcamos até um fórum de discussões PTB-PPS", contou.