FH é alvo de críticas dos aliados

Partidos atribuem os desentendimentos na base ao distanciamento do presidente
ILIMAR FRANCO
BRASÍLIA - Os principais partidos de apoio ao governo - PSDB, PFL e PMDB - atribuem à falta de comando do presidente Fernando Henrique Cardoso as disputas e brigas na base aliada. O distanciamento do presidente do dia-a-dia da política nos últimos meses e a crise econômica minaram sua autoridade, e o resultado foi um verdadeiro tiroteio entre os principais políticos desses partidos. Apesar disso, como ficou claro na sexta-feira, quando Fernando Henrique recebeu para um café da manhã no Palácio da Alvorada, os presidentes do PSDB, senador Teotonio Vilela (AL), do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PMDB, Jáder Barbalho (PA), garantem que ninguém pretende abandonar o governo. "O governo se enfraqueceu com a crise econômica, mas ninguém vai desembarcar antes das eleições municipais", resumiu o vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE). Trégua - Na sexta-feira foi firmada uma trégua informal do PSDB e do PFL com o PMDB, depois que os dois mais antigos parceiros da aliança sugeriram ao presidente o rompimento com o PMDB. "O presidente disse aos seus aliados que não interessa a ele e ao seu governo este clima de conspiração", disse Jáder Barbalho. O presidente pode ter convencido seus aliados de que precisam parar de brigar, mas continua sendo alvo da crítica de todos. No Congresso, Fernando Henrique é cada vez mais criticado. Entre interlocutores freqüentes do presidente são comuns críticas sobre sua incapacidade de decidir e sua impotência diante da burocracia. As queixas são de todos os partidos. No PFL há uma comoção pelo fato de Fernando Henrique não ter nomeado o ex-ministro Luiz Carlos Santos, ex-articulador político do governo, para nenhum cargo. Os pefelistas contam que Fernando Henrique teria prometido a Santos a presidência da BR Distribuidora e depois a de Furnas. Santos não foi nomeado para nada, mas como o presidente não disse que ele estava vetado, o problema passou a ser partidário e não mais individual. Os partidos atribuem o veto ao PSDB. No PMDB o desconforto é pelo constrangimento a que foi submetido o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). No partido conta-se que o presidente teria garantido a Michel Temer que um amigo seu, que era diretor da BR Distribuidora, seria nomeado para a direção da Petrobrás. Temer comunicou ao amigo a decisão do presidente. Depois que Henry Philippe Reischtul foi nomeado presidente da Petrobrás, este diretor, ao invés de ser promovido, foi demitido da BR Distribuidora. Desconforto - O clima de desconforto entre o que o presidente promete e faz também é grande no PSDB. O líder do partido na Câmara, Aécio Neves, está inconformado com o processo de privatização de Furnas. Em tom de desabafo, Aécio relatou a um grupo de tucanos que Fernando Henrique tinha se comprometido a adiar a venda de Furnas por alguns meses. Aécio contou que assistiu ao telefonema de Fernando Henrique para o presidente do BNDES, Pio Borges, mandando suspender o edital. Uma semana depois o edital foi publicado e Aécio ligou para o presidente. Fernando Henrique ouviu e apenas perguntou: "Eles fizeram isso?" Esses fatos apontam para um acúmulo de ressentimentos com o presidente. Alguns aliados chegam a temer um conclusão melancólica do governo por conta do fim da aliança, em decorrência da sucessão presidencial. Em 2002 não haverá uma candidatura Fernando Henrique para unir todos, e a chapa só tem lugar para dois: o presidente e o vice. "O time de 2002 não é agora. É um erro dos partidos definir alternativas neste momento", disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). Mas os fatos apontam noutra direção. O PMDB está anunciando desde o início do ano que terá candidato próprio em 2002. Na sexta-feira, o PFL, em convenção, também proclamou que terá candidato e o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), assumiu sua candidatura. No próximo fim de semana, o PSDB fará o mesmo em sua convenção e o governador de São Paulo, Mario Covas, sairá como o virtual candidato dos tucanos à Presidência.