Sebastião Nery

Pedro Simon: 'Ah, meu Deus!'
Não satisfeita, a velha UDN, que contra Getúlio Vargas tinha sido jurídica e libertária e contra João Goulart conspiratória e golpista, organizou o cordão dos puxa-sacos e ofereceu a Costa e Silva um bombástico jantar no restaurante do Hotel Glória, no Rio. Estavam lá, lembro bem, Pedro Aleixo, o vice, Mílton Campos, Adauto Lúcio Cardoso, Daniel Krieger, João Agripino, Magalhães Pinto, Rui Palmeira, Aliomar Baleeiro, José Cândido Ferraz, Edilberto Ribeiro de Castro, tantos outros. Auro Moura Andrade (ex-PSD de São Paulo), que na cassação de Juscelino Kubitschek havia dito que "japona não é toga, militar não é juiz", fez o discurso de saudação, com seu inconfundível vozeirão. Uma obra-prima de cinismo (não confundir com civismo), garantindo que Costa e Silva ia "devolver a democracia". Deu o AI-5. Ouvindo os descabelados elogios de Auro a Costa e Silva, Mílton Campos e Adauto Cardoso trocavam silenciosos olhares de desdém. Mas batiam sempre palmas. Quando Auro terminou, Costa e Silva se levantou e disse: - Esse homem é um monstro como orador! Adauto Cardoso sorriu sarcástico: - Hein, Milton? Mílton Campos suspirou fundo: - Ah!, Senhor! (Ouvindo, no Congresso sexta-feira, o discurso de reposse de Fernando Henrique Cardoso, repetindo todas as promessas que fez na posse de 95 e não cumpriu, o senador Pedro Simon suspirou, como Mílton Campos: "Ah, meu Deus"!).
Durante, o novo traído
FHC traiu miseravelmente mais um. Mauro Durante, amigo de Itamar Franco desde a juventude, no primeiro mandato de prefeito em Juiz de Fora (foi secretário-particular) e ministro da Secretaria Geral da Presidência da República no vice-governo de Itamar, continuou na presidência do Sebrae, mesmo depois que Itamar brigou com FHC. Quando FHC "motoboyou" (prometeu, enganou e estuprou) a convenção do PMDB para Itamar não ser candidato, convidou o eficiente Mauro Durante para continuar presidente do Sebrae no segundo governo dele. Por causa do convite, Itamar rompeu com Durante, inclusive a amizade de 40 anos. Agora, FHC "agradeceu" a Mauro Durante: tirou-o do Sebrae sem sequer um telefonema. Como o escorpião da fábula, é a natureza. O novo presidente-executivo do Sebrae, o jovem Sérgio Moreira, é o senador Teotônio Vilela Filho, presidente nacional do PSDB, no governo. Já foi presidente da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), secretário-executivo do Meio Ambiente e superintendente da Sudene, sempre tido como administrador competente. Pio Guerra, o presidente do Conselho Nacional do Sebrae, indicado pelo senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), presidente da Confederação Nacional da Indústria, e que aparentemente está acima do presidente-executivo, na verdade é uma rainha da Inglaterra. Quem aplica o bilhão e meio de verbas do Sebrae é o presidente-executivo. Sérgio Moreira é de Alagoas, começou como secretário de administração do governador Fernando Collor e com ele se elegeu deputado federal em 92.