Direto da Fonte

SONIA RACY O discurso de posse do ministro Celso Lafer ontem deu o tom do que será o Ministério de Desenvolvimento: mais um foco da diplomacia brasileira. Tanto assim que não se teve notícia do comparecimento de empresários de peso ou mesmo de políticos importantes. Dos três empresários que foram, um, pelo menos, declarou que não gostou do discurso: Sinésio Batista da Costa, da Abrinq. Os outros dois eram o ex-sócio e ex-sogro do ministro, José Mindlin, e Fernando Bezerra, da CNI. Horácio Lafer Piva, da Fiesp, permaneceu na praia, Eugênio Staub, do Iedi, está no exterior e outros ficaram trabalhando em São Paulo. Até Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, da Firjan, faltou. Lafer, por sua vez, não mostrou ainda a que veio. Suas palavras nada trouxeram de novo ou de impactante. Enumerou seis objetivos para a sua pasta nos próximos quatro anos de governo, todos altamente louváveis, como propiciar crescimento e emprego, coordenar os instrumentos de apoio à produção e ao comércio, impulsionar as exportações brasileiras de bens e serviços; dialogar com as classes produtoras, manter um relacionamento franco e aberto com o Congresso, voltado para o desenvolvimento do País e servir como foco da formulação e implementação das políticas de desenvolvimento. Mas não deu absolutamente nenhuma dica de que conseguirá cumprir essas metas pré-estabelecidas que não são suas, mas do governo FHC, desde o primeiro mandato. Mesmo a idéia de transformar o BNDES em um banco de comércio exterior, é antiga, data do começo do governo FHC. Lafer, porém, deixou claro a que não veio: comprar briga com o Ministério da Fazenda ou com quem quer que seja. Intelectual respeitado, homem de grande inteligência e prestígio, vai precisar de um executivo hábil e realizador na secretaria executiva do ministério se quiser dar a ele a velocidade pretendida pelo seu idealizador, Luiz Carlos Mendonça de Barros.