PIMENTA ASSUME AS COMUNICAÇÕES COMO OPERADOR POLÍT

A política voltou a ser campo de trabalho do ministro das Comunicações. Ao ser empossado ontem no cargo, o deputado Pimenta da Veiga retomou uma tradição erguida pelos ministros Antonio Carlos Magalhães e Sérgio Motta à frente da pasta. Embora tenha feito referência às questões técnicas do ministério, Veiga deu o tom político num pronunciamento em que (ladeado por Antonio Carlos, presidente do Senado, e por Michel Temer, presidente da Câmara) conclamou o Congresso a não 'abrir discussões teóricas' no momento, aprovando com rapidez os projetos do ajuste fiscal 'que são do interesse do País'. Pimenta da Veiga será não apenas ministro das Comunicações como também atuará como coordenador político do governo. Na posse, foi prestigiado pelos principais expoentes do mundo partidário que apóia o governo. Além de oito ministros, compareceram os principais cardeais do PSDB, dois governadores (de Goiás e da Bahia) e até o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen. 'Venho com a humildade dos que querem servir, mas com a autoridade dos idealistas', filosofou Pimenta, garantindo que nem a mineiridade e nem o perfil tucano restringirão o seu trabalho político na busca de entendimentos com todos partidos. 'Considero-os credenciais facilitadoras desta tarefa que será cumprida com visão nacional e isenção partidária.' Em contraponto ao discurso rigorosamente técnico de Juarez Quadros do Nascimento, que foi ministro interino desde a saída de Luiz Carlos Mendonça de Barros em função das conversas telefônicas gravadas durante a privatização da Telebrás, o novo ministro lembrou aos colegas congressistas que 'é essencial uma resposta rápida do País, demonstrando que as dificuldades que nos atingiram serão superadas pela convergência política em torno do ajuste econômico'. 'Compreendo todas as apreensões e dúvidas que possam existir, quanto aos rumos traçados para o País. Posso até mesmo me filiar a algumas. O que não podemos aceitar, porém, é hesitação nestas questões emergenciais', afirmou. E conclamou o Parlamento a 'votar com a maior agilidade estas questões, porque são do interesse do País, porque não podem esperar e porque é atribuição específica do Poder Legislativo seu exame e deliberação'. Em seguida, acrescentou: 'Estou certo que superadas, como haverão de ser, estas últimas partes do ajuste econômico, o Brasil reunirá condições para discutir um grande projeto nacional de desenvolvimento, que deve se iniciar pela queda acelerada de juros, pela implantação de novos projetos empresariais, grandes e pequenos, viabilizando os empregos que estão faltando e gerando indispensável aumento das rendas públicas'. Na sua visão, esse futuro projeto deverá contemplar principalmente as regiões menos desenvolvidas do País. Segundo Pimenta, o Ministério das Comunicações tem se revelado de grande visibilidade política nos últimos anos. Citou Mendonça de Barros que, na sua opinião, conduziu a privatização das teles 'com determinação rara, a ponto de se tornar alvo de insidiosa campanha que o afastou, provisoriamente, da vida pública'. Elogiou Antonio Carlos Magalhães à frente da Pasta e, num gesto de elegância (pois deixou de colaborar com Cardoso, no primeiro mandato, em conseqüência de divergência política) elogiou o falecido ministro Sérgio Motta. 'Reverencio sua memória, destacando sua absoluta dedicação à vida pública e sua inexcedível capacidade de trabalho.' Minas e Energia A posse do ministro Rodolpho Tourinho Neto no Ministério de Minas e Energia foi uma demonstração de força do carlismo. Das 11 pessoas que ocuparam a mesa das autoridades, sete eram integrantes da política da Bahia, inclusive o novo ministro e o próprio ACM. Tanto Tourinho quanto o ex-ministro Raimundo Brito prestaram homenagens ao presidente do Senado Federal. Rodolpho Tourinho disse, em seu discurso de posse, que a meta prioritária do ministério é a garantia de suprimento de energia ao País, com ênfase na interiorização dos benefícios gerados pela distribuição de eletricidade e na integração energética com os países vizinhos. Numa rápida entrevista à imprensa, depois da solenidade, Tourinho informou que caberá ao presidente da República definir, nos próximos dias, como ficará a composição das diretorias da Petrobras e da Eletrobrás. Eduardo José Bernini, presidente da VBC Energia e do Mercado Atacadista de Energia (MAE) comentou, ontem, que o mudança de ministros é propícia para a consolidação do papel do Estado como formulador da política setorial. 'O ministro Raimundo Brito fez um trabalho excepcional ao implantar o novo modelo. Mas agora caberá ao ministro Tourinho definir o segundo passo na reforma', explicou. (Maurício Corrêa).