Pimenta promete maior diálogo com oposição

Ao assumir cargo, ministro rebate ataques dos que não o querem na articulação política do governo
GERSON CAMAROTTI
BRASÍLIA - Com um discurso de forte tom político, o novo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, tomou posse ontem prometendo buscar maior diálogo com a oposição. Num evento concorrido e prestigiado, o novo articulador político do governo deixou clara qual será sua função e aproveitou para cobrar do Congresso a conclusão do ajuste fiscal. Na posse, Pimenta rebateu os ataques que vêm recebendo de líderes de partidos aliados que não o aceitam na figura de articulador político do governo. "Nem a mineiridade, nem o perfil tucano haverão de restringir meu trabalho", disse Pimenta. "Considero-as credenciais facilitadoras dessa tarefa, que será cumprida com visão nacional e isenção partidária." Ao fim da solenidade, Pimenta disse que antes mesmo de assumir o cargo de ministro, já começou a exercer funções políticas no governo. "Eu diria que até já comecei a conversar para ajudar a organizar as votações", comentou. Em relação ao diálogo que pretende manter com a oposição, seguindo o exemplo do presidente Fernando Henrique Cardoso, Pimenta ressaltou que esta será uma de suas principais preocupações. "Quero ter canais diretos e abertos com a oposição, um entendimento amplo e elevado, em que se busca fundamentalmente um debate de idéias do interesse nacional." Compareceram ao evento os presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), além de líderes de partidos aliados e do governo, vários ministros e governadores. Apesar de ser o articulador político informal do governo, as resistências encontradas nos outros partidos aliados podem acabar neutralizando as funções de Pimenta. Uma coisa é certa: pelo menos no primeiro momento, ele terá de dividir suas funções com os ministros políticos dos outros partidos aliados. Mas dentro do PSDB acredita-se que, mesmo havendo essa divisão de tarefas, logo a posição de Pimenta começará a ter destaque. Isso porque, segundo um influente líder tucano, o novo ministro das Comunicações é o único que tem acesso direto a Fernando Henrique. "Ele deveria ter sido nomeado articulador político de fato", lamentou o deputado José Aníbal (PSDB-SP), referindo-se ao episódio em que o nome de Pimenta foi rejeitado pelo PMDB e PFL para assumir o cargo de secretário de Governo.