Poucos empresários prestigiam e saem frustrados da

BRASÍLIA - O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, embaixador Celso Lafer, anunciou, ontem, que atuará em sintonia com a equipe econômica, pois, sem estabilidade da moeda, não há desenvolvimento sustentável. A cerimônia de posse de Lafer foi prestigiada pela maioria dos ministros de Estado, mas marcada pela ausência do empresariado. "Num diálogo constante, este ministério obedecerá a uma lógica de complementaridade e não a um impulso de contradição com a política econômica do governo, conduzida pelo Ministério da Fazenda e voltada para a consolidação do real", afirmou, ao discursar para uma platéia de diplomatas. O presidente Fernando Henrique Cardoso criou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para concentrar as ações do governo federal voltadas ao aumento da competitividade da produção brasileira e à retomada do crescimento econômico. A importância da nova Pasta gerou tanta disputa interna entre os partidos aliados ao governo - o auge da briga foi o escândalo do grampo no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - e afastou do governo vários colaboradores próximos ao presidente da República. Além do amigo pessoal José Midlin - ex-controlador do grupo MetalLeve -, apenas três lideranças empresariais de peso participaram da posse do titular do Ministério do Desenvolvimento: os presidentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), e das Associações Brasileiras das Indústrias de Brinquedos (Abrinq), Sinésio Batista, e Têxtil, Paulo Skar. Um empresário presente à solenidade disse que "estranhou" o fato de Lafer não ter mencionado, no discurso, a importância do aumento da poupança financeira do País e dos investimentos para o avanço do desenvolvimento econômico. O presidente da Abrinq se disse "frustrado" com as palavras do ministro, ao que Lafer reagiu: "O meu discurso é o que eu penso; é preciso que leiam o discurso; depois, nós conversamos". Desculpa - O secretário de Estado de Direitos Humanos, José Gregori, que assistiu à cerimônia, atribuiu ao feriado de fim de ano a ausência da entidade empresarial mais representantiva do País, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Não se deve tirar conclusões precipitadas; com os feriados de fim de ano, muitos empresários tiveram de estar presentes, hoje (ontem), em suas empresas; mas ainda vão enviar fax de congratulações e telefonar para o ministro", disse Gregori.