Élcio se dedica a contatos políticos

CÉSAR FELÍCIO
BRASÍLIA - O ministro da Defesa Élcio Álvares não se desligou de suas funções no Senado em seu primeiro dia de trabalho na pasta. Ontem, o novo ministro se dedicou a atividades típicas de parlamentar. Recebeu em seu gabinete no Congresso o seu suplente, Jônice Tristão (PFL-ES), que ocupará uma cadeira no Senado durante os 30 dias que faltam para o mandato de Élcio se encerrar. Também se encontrou com o senador Romeu Tuma (PFL-SP), que irá substituí-lo interinamente como líder do governo no Senado. Em sua sala no Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), onde esteve pela manhã, Élcio não concedeu nenhuma audiência, se limitando a uma reunião de trabalho com o ministro-chefe do órgão, general Benedito Leonel. Seus únicos compromissos relacionados ao ministério foram assistir às posses dos comandantes da Marinha, almirante Sérgio Chagas Telles, e da Aeronáutica, brigadeiro Werner Brauer, que junto com o comandante do Exército, general Gleuber Vieira, manterão status de ministro enquanto o projeto de lei e a emenda constitucional que implantam de fato o ministério da Defesa continuarem tramitando no Congresso. Sequer estas atividades, contudo, foram informadas à imprensa pelo seu gabinete no Senado. Oficialmente, a agenda do ministro pela manhã só não estava em branco porque seus assessores confirmavam a sua presença no almoço oferecido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a autoridades estrangeiras no Itamaraty. Até o momento, Élcio não nomeou nenhum assessor para ajudá-lo nos contatos com a mídia, com o Congresso e com o meio militar, e nem sabe quando o fará. "Ainda não tive tempo para isso. Estou estudando muito, o ministério está em seus primeiros passos", afirmou. Embora não pretenda voltar a despachar no Congresso, o novo ministro adiantou que durante todo este mês a sua prioridade será tratar da tramitação do projeto que cria a pasta. "Eu ainda vou ler as emendas que foram feitas para ver se o governo apóia alguma mudança no projeto original", disse Élcio, para quem não há prazo para o período de transição entre a atual estrutura de quatro ministérios militares para o comando único no ministério da Defesa. Hoje, Élcio Álvares deverá se encontrar com o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), para definir quem será o relator do projeto, no lugar do deputado Benito Gama (PFL-BA), que se afastou do Congresso para assumir a secretaria de Indústria e Comércio da Bahia. O projeto encaminhado pelo governo retira o status de ministro dos comandantes das três forças e extingue o EMFA, mas os chefes do Exército, Marinha e Aeronáutica manterão uma série de prerrogativas. Terão autonomia para determinar a política de promoções dentro de suas áreas e permanecerão com assento no Conselho de Defesa Nacional. Até mesmo parlamentares inteiramente fiéis ao governo admitiram que, aprovado o projeto do jeito que está, Élcio Álvares terá uma função meramente decorativa.