Pimenta quer Congresso ágil

Para quem pretende se firmar como coordenador político do governo, o novo ministro das Comunciações, deputado eleito Pimenta da Veiga (PSDB-MG), começou com o pé direito. Sua posse foi a mais concorrida das cinco que ocorreram ontem na Esplanada. Seu discurso, contundente. De quem chega com muita vontade de conquistar essa posição, no passado dividida basicamente entre seu antecessor Sérgio Motta e Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), que morreram em abril do ano passado. Foi o preâmbulo de sua atuação, que deve começar para valer hoje no Palácio do Planalto, onde ele se reúne com ministros do PMDB, PFL e PPB, além do secretário de Relações Institucionais, Eduardo Graef, para traçar a estratégia do governo para a convocação extraordinária. No auditório do Ministério lotado, Pimenta já começou a sua tarefa na tentativa de preparar terreno para essas votações e as reformas urgentes que precisam, segundo ele, ser votadas ainda no primeiro trimestre — como a política e a tributária e a regulamentação da Previdência. Citou a crise econômica, dizendo ser ‘‘essencial uma resposta rápida, que mostrem que as dificuldades serão superadas pela convergência política em torno do ajuste econômico’’. Sem meias-palavras, Pimenta foi enfático: conclamo o Parlamento a votar com a maior agilidade essas questões porque são do interesse do país e não podem esperar’’, defendeu. Deu também o tom que pretende dar ao seu trabalho político, e promete ir do diálogo com a oposição à isenção partidária no trato com os aliados: ‘‘Nem a mineiridade nem o perfil tucano haverão de restringir o meu trabalho político. Considero-as credenciais facilitadoras desta tarefa que será cumprida com visão nacional e isenção’’, disse. Para entendedores de política, colocou-se como o substituto de Sérgio Motta, mas descartou a chamada incontinência verbal, uma marca registrada do ex-ministro, que às vezes, causava problemas com os aliados. ‘‘Serei leal ao presidente Fernando Henrique ao ouvir e ao falar; incansável na intermediação com os partidos; solidário na convivência com os parlamentares, solidário aos parlamentares, atento à interlocução com a sociedade e todos os seus segmentos. Ficarei sempre disponível para conhecer as sugestões da oposição, sobretudo, tolerante para ouvir as críticas responsáveis, mas intransigente com os ataques infundados’’, disse ele. Para quem contava com um discurso político desprovido de qualquer menção às comunicações, Pimenta surpreendeu com uma lista das atribuições que terá no futuro próximo. Caberá a sua pasta elaborar leis para a área postal e a de comunicação de massa, pontos em que a gestão anterior apenas resvalou. O Ministério participa também da etapa final de privatização da telefonia, que é coordenada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Pimenta toma posse de seu cargo com uma crise instalada neste setor. Faltaram interessados para a licitação de duas das quatro licenças-espelho, que autorizará empresas a concorrer com as teles recém privatizadas. Em outro caso, houve apenas um grupo interessado — o espaço interesse deverá se refletir em preço pequeno. Além disso, ainda há o rescaldo da crise que resultou na demissão do ministro Mendonça de Barros. Entremeando planos políticos e técnicos com elogios rasgados ao presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e homenagens póstumas a Luís Eduardo, Serjão e Ulysses Guimarães — os três grandes expoentes do PFL, PSDB e PMDB que já morreram — Pimenta tinha um objetivo ali. Tentar diminuir as resistências à sua atuação política. Primeiro a falar com desdém da intenção de Pimenta em ter um papel destacado na política, o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), foi uma das ausências na posse, mas telefonou para se justificar. Mais tarde, questionado, Pimenta se referiu à conversa que tiveram como um ‘‘telefonema convergente’’. Além de Antônio Carlos, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e parlamentares dos mais diversos partidos estiveram lá para abraçá-lo Durante todo o dia, Antônio Carlos evitou declarações diretas sobre o papel político de Pimenta. Perguntado, disse que estava com ‘‘problemas de audição’’. O PFL está, segundo seus interlocutores, na chamada ‘‘muda’’. Esperando ver o que acontece para ver como se posicionar. Pimenta tem tentado se aproximar. E se os partidos aliados desdenham seu papel de coordenador político, ele faz o mesmo com seus críticos: ‘‘Espaço se conquista. Vou ajudar o governo com todos os ministros. Não estou preocupado com títulos. Títulos se conquista’’, respondeu. MEIO AMBIENTE
Enquanto isso, o novo ministro do Meio Ambiente, deputado Sarney Filho (PFL-MA), tomou posse afirmando que a causa ambientalista é apartidária e que irá procurar todos os setores preocupados com o tema, inclusive parlamentares da oposição, como a senadora Marina Silva (PT-AC) e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). ‘‘Esta causa é desinteressada e apartidária, heróica e corajosa, porque é dos que sabem lutar por um motivo nobre’’, discursou o ministro, numa posse prestigiada principalmente por parlamentares das bancadas do Norte e Nordeste. Entusiasmados com a posse do ministro do Maranhão, os parlamentares ligados à bancada do senador José Sarney comemoravam o novo cargo. ‘‘A indicação de Zequinha é uma demonstração de prestígio e reconhecimento do grupo de trinta deputados ligados ao presidente Sarney’’, disse o deputado César Bandeira (PFL-MA). A única ausência notada na solenidade foi a do senador José Sarney (PMDB-AP), pai do novo ministro. Com o desafio de administrar três milhões de imóveis que estão em poder da União, a secretária Cláudia Costin tomou posse na Secretaria de Administração e Patrimônio, que extinguiu o Ministério da Administração e Reforma do Estado. ‘‘Esses imóveis podem e devem ser vendidos’’, anunciou. Ela assegurou que não haverá demissão de servidores estáveis no governo federal como medida de contenção de gastos para o ajuste fiscal. O almirante Sérgio Giritana Cagasteles e o brigadeiro Walter Bräuer assumiram os cargos de ministros da Marinha e da Aeronáutica, respectivamente, na presença do ministro extraordinário da Defesa, Élcio Álvares, dando início à efetiva transição nos ministérios militares. O novo ministro do Exército, general Gleuber Vieira, havia assumido o cargo na semana passada.