Pimenta dá demonstração de força ao tomar posse

BRASÍLIA. O tucano Pimenta da Veiga assumiu ontem o Ministério das Comunicações dando uma demonstração de prestígio: sua posse foi a mais concorrida e mais de 300 pessoas lotaram o auditório do ministério. No seu discurso, Pimenta assumiu o papel de articulador político do Governo, a despeito da resistência de alguns aliados. Pregou o diálogo com a oposição, prometeu a queda acelerada das taxas de juros, depois de superadas "as inegáveis dificuldades", e cobrou com vigor o apoio do Congresso para a aprovação das medidas do ajuste fiscal. Segundo Pimenta, não é hora de tergiversar (buscar evasivas) ou abrir discussões teóricas. - Compreendo todas as apreensões e dúvidas que possam existir quanto aos rumos traçados para o país. Posso até me filiar a algumas. O que não podemos aceitar, porém, é a hesitação nessas questões emergenciais - conclamou Pimenta. Representado pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (BA), e pelo presidente nacional do partido, Jorge Bornhausen (SC), o PFL prestigiou a cerimônia. Apesar da ausência do presidente nacional do PMDB, Jáder do Barbalho (PA) e do líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, também peemedebista, estiveram na solenidade. Nenhum deles, porém, foi à posse do ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer. Em resposta aos que resistem à idéia de que seja o coordenador político do Governo, Pimenta citou o próprio Antônio Carlos, que já foi ministro das Comunicações, para lembrar que seu cargo garante visibilidade política. - É como homem de partido, o PSDB, que terei representatividade para fazer entendimentos com todos os partidos. Nem a mineiridade, nem o perfil tucano haverão de restringir meu trabalho político. Considero-os credenciais facilitadoras para esta tarefa que será cumprida com visão nacional e isenção partidária - disse. Antes de dar um forte abraço em Antônio Carlos, Pimenta comparou o filho do senador, Luís Eduardo Magalhães, morto em abril, a Ulysses Guimarães, chamando-os de grandes líderes políticos contemporâneas. Os dois, disse Pimenta no discurso, são exemplos de confiança "na correta ação política". - Ele é um político mineiro, né? - brincou o ministro da Saúde, José Serra, ao elogiar a habilidade de Pimenta. Pimenta se pôs ainda à disposição da oposição. Disse que será tolerante com as críticas responsáveis, mas intransigente com ataques infundados, "movidos pela desinformação ou por interesses mesquinhos". - Quero ter canais abertos e diretos com a oposição, um entendimento amplo e elevado, onde se busca fundamentalmente uma discussão de idéia do interesse nacional - afirmou Pimenta depois de discursar, acrescentando que falava pelo Governo. Pimenta fez as vezes de porta-voz do presidente Fernando Henrique e até invadiu a seara do colega Celso Lafer ao prometer a redução rápida das taxas de juros após a aprovação do ajuste. - Estou certo que superadas, como haverão de ser, estas últimas partes do ajuste econômico, o Brasil reunirá condições para discutir um grande projeto nacional de desenvolvimento, que deve se iniciar pela queda acelerada de juros, pela implantação de novos projetos empresariais, grandes e pequenos, viabilizando os empregos que estão faltando, e gerando o indispensável aumento das rendas públicas. Num discurso parecido com o do presidente Fernando Henrique, Pimenta citou, além de Antônio Carlos, o ministro Sérgio Motta, falecido em abril, e o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros para justificar sua atuação como articulador político de agora em diante. Ao falar de Mendonça de Barros, Pimenta previu sua volta ao Governo. - O último ministro, Mendonça de Barros, teve presença marcante no cenário nacional, conduzindo o processo de privatização das teles com determinação tão rara, a ponto de ser alvo de insidiosa campanha que o afastou, provisoriamente, da vida pública - defendeu. Além de Serra, Padilha e Lafer, Paulo Renato Souza (Educação), Francisco Dornelles (Trabalho e Emprego), Élcio Álvares (Defesa), Andrea Matarazzo (Comunicação do Governo) e Eduardo Graeff (Relações Institucionais) estiveram na solenidade. No auditório, enfeitado por duas faixas de prefeituras de Minas, Pimenta reforçou a necessidade de aprovação do ajuste. Do contrário, segundo ele, a estabilidade da moeda estará ameaçada. - Nem a democracia nem a estabilidade da moeda são conquistas definitivas. Precisam ser permanentemente protegidas para que não as percamos em um lance equivocado.