Indicação de nova diretoria provoca protesto no Se

da Sucursal de Brasília
Presidentes de confederações patronais se retiraram ontem da reunião que elegeu a nova direção executiva do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em protesto contra a inclusão da entidade no rateio de cargos feito pelo governo para atender aos partidos aliados. O protesto foi liderado pelo presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN). Ele disse que o governo desrespeitou o acordo feito em novembro para que os cargos fossem divididos entre o setor privado e a União. O Planalto informou que não faria comentários ontem sobre o caso. O Sebrae é uma instituição privada, mas o governo participa do seu conselho deliberativo. No próximo ano, o Sebrae terá um orçamento de R$ 1,4 bilhão, proveniente de contribuições das empresas, receita de serviços prestados, aplicações financeiras e saldos de orçamentos passados. O novo diretor-presidente do Sebrae será o atual superintendente da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), Sérgio Moreira, vinculado ao presidente do PSDB, senador Teotonio Vilela Filho (AL). Vinícius Lummertz e Maria Delith Balaban foram eleitos respectivamente para os cargos de diretor técnico e de diretor administrativo e financeiro do Sebrae. Lummertz é vinculado ao presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC) e foi candidato a prefeito de Florianópolis pelo partido. Maria Delith é irmã do ex-secretário geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas e foi chefe de gabinete do presidente Fernando Henrique Cardoso quando ele era senador. "Eu não tenho restrição aos escolhidos, mas questiono a forma de fazer. Havia um acordo que não foi cumprido", afirmou Bezerra. Além da CNI, participam do conselho do Sebrae as confederações nacionais do Comércio (CNC), da Agricultura (CNA) e das Associações Comerciais do Brasil (CACB). Os empresários indicaram o presidente do conselho deliberativo, Pio Guerra, representante da CNA. A vaga de Moreira na Sudene poderá ir para um representante do PFL de Pernambuco, que não foi contemplado na distribuição dos ministérios, mas deverá ficar com a Caixa Econômica Federal. "Se a Sudene entrar no jogo, o PMDB defende o equilíbrio entre os partidos", disse o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). A pasta de Políticas Regionais (que vai virar ministério) é controlada pelo PMDB. Geddel disse que o PMDB não exige a verticalização dos ministérios (quando todos os cargos são indicados pelo mesmo partido). "O indicado deve obediência ao superior e não a quem o indicou." Na distribuição de cargos do segundo escalão, o PMDB deverá ficar ainda com a presidência da BR Distribuidora. O nome mais forte é o de Moreira Franco (RJ), candidato ao Senado derrotado.