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Um alerta contra o monopólio chinês de terras-raras

Chinês em mina de terras--raras: condições ambientais e trabalhistas foram usadas como motivo para restrições à produção anunciadas em 2011 (Foto: Niklaus Berger)

O Brasil já foi o maior produtor mundial. A Índia também. Por duas décadas, de 1965 a 1985, os Estados Unidos sediaram a maior mina de terras-raras do mundo — Mountain Pass, na Califórnia. Tudo isso é passado. Um a um, a partir da década de 90, todos os produtores capitularam diante da expansão da produção chinesa.

Hoje, o país produz cerca de 97% das terras-raras consumidas no mundo. Chegou a essa condição por ter as maiores reservas, em boas condições de exploração, com mão de obra barata, derrubando os preços e inviabilizando os polos de mineração então existentes. O mundo acreditou na confiabilidade do suprimento chinês, cancelou projetos e abandonou pesquisas.

Porém, em 2011, a China deu um choque no mercado mundial. Restringiu as vendas de forma inesperada e drástica, com cotas de produção para empresas, inclusive alegando problemas ambientais. Pegos de surpresa, diante das incertezas a respeito da estabilidade do preço e da garantia de suprimento pela China, os países consumidores iniciaram rapidamente uma retomada do mapeamento e da exploração desses elementos, cuja demanda aumenta rapidamente, por serem estratégicos para o crescimento e a inovação da indústria do século 21.

O consumo de elementos de terras-raras (ETRs) praticamente triplicou nos últimos 15 anos e a tendência é que aumente ainda mais. As atividades de pesquisa e desenvolvimento têm contribuído para essa expansão e aberto um número maior de mercados, como o de células solares, superímãs, supercondutores de alta temperatura, utilizados em geradores eólicos, carros elétricos e híbridos, iluminação eficiente etc.

Estimativas apontam que a produção de alguns elementos, as terras-raras pesadas, não conseguirá atender toda a demanda nas próximas décadas.

Em resposta, muitos países estão voltando a investir e iniciam projetos de exploração, principalmente nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Groenlândia, território da Dinamarca. Mas os desafios são imensos: como a mineração de terras-raras é uma operação difícil e cara, para garantir o retorno do investimento é preciso agregar à atividade a cadeia produtiva, sob pena de não ter para quem vender.