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Reservas de terras-raras no mundo são pouco exploradas

O potencial mundial de produção de terras-raras ainda está longe de ser amplamente conhecido. Ele muda a cada anúncio de descoberta, a cada novo projeto de exploração que entra em operação pelo mundo afora. Presentes em diversos tipos de mineral, em baixa concentração (entre 2% e 5% do material), misturados a outros (como nióbio e urânio), fica ainda mais difícil precisar a quantidade de cada um dos elementos presente em cada reserva.

Segundo os consultores da Câmara, os depósitos de bastnasita dos Estados Unidos e da China ­concentram grande parte das reservas conhecidas de terras-raras. A monazita, que aparece principalmente na Austrália, África do Sul, China, Brasil, Malásia, Índia, Sri Lanka, Tailândia e Estados Unidos, forma a segunda maior concentração. Mas a possibilidade de dano ambiental associada à extração de terras-raras das monazitas e o alto custo de armazenamento dos subprodutos radioativos levaram alguns países, como Estados Unidos, a não considerá-las como fonte de ETRs. A xenotima, ­encontrada na Noruega, ­Madagascar, Brasil e Estados Unidos, e as argilas, que não têm minerais radioativos associados e só aparecem na China, são outras importantes fontes de ­terras-raras pesadas.

De acordo com o Serviço Geológico Norte-Americano, em 2010 cerca de 50% das reservas mundiais de terras-raras identificadas estavam na China, e os Estados Unidos detinham aproximadamente 13%. África do Sul e Canadá teriam alto potencial de produção, enquanto Austrália, Brasil, Índia, Rússia, Malásia e Malawi também teriam depósitos significativos.

Existem depósitos de alto teor de terras-raras na Mongólia Interior, grande região produtora, e de baixo teor no sul da China. São as argilas, que têm principalmente ETRs pesados, mas que são de fácil exploração. Outras áreas com grande potencial são o Lago Thor, no Canadá; Karonga, no Burundi; e Wigu Hill, no sudoeste da Tanzânia.

Se em produção e mercado a China é dominante, em termos de reservas ou depósitos o país pode ser contestado. O diretor da Vale Edson Ribeiro afirmou aos senadores que há muita especulação e controvérsia quanto às reais dimensões dos depósitos e à efetiva capacidade produtiva de vários projetos anunciados pela indústria e pelos países mundo afora. Para o executivo, não está provado que a China detém metade das reservas mundiais. “Não há, em termos de geologia, em termos naturais, uma ­concentração na China. O que há é uma concentração de produção, e não de ocorrência”, afirmou Ribeiro.