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Política restritiva dos chineses forçou os demais países a se mexerem

Já no que se refere à produção, o domínio chinês é incontestável. Além de serem os maiores consumidores, ainda sobram terras-raras para suprir toda a demanda mundial. Mas a política restritiva de exportações forçou os compradores a se mexerem. Estudos de diversas consultorias apontam que EUA, Austrália e Canadá devem aumentar a produção dentro de dois a cinco anos. Os chineses também estão procurando ampliar a ­capacidade de produzir em outras regiões do mundo, particularmente na África e na Austrália.

No Brasil, há os projetos da Mineradora Serra Verde, em Minaçu (GO), e da MbAC e da CBMM, em Araxá (MG), que não estarão maduros antes de três anos.

Edson Ribeiro apresentou aos senadores os projetos relacionados pela Vale e pelo mercado como em estágio suficientemente avançado para serem considerados, ainda que dois deles não tenham estimativa de capacidade produtiva.

Edson Ribeiro, da Vale, disse que 90% dos projetos
mundiais são para produzir terras-raras leves,
mas a demanda pelas pesadas vem aumentando
(Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

No curto prazo, as iniciativas mais importantes são o projeto Mount Weld, da empresa australiana Lynas Corporation, com capacidade para produzir 20 mil toneladas anuais (o estudo da Câmara, de 2012, fala em 40 mil), e a operação da Mountain Pass, da norte-americana Molycorp, com 10 mil toneladas por ano (20 mil, segundo o estudo). Edson Ribeiro ressaltou o grande predomínio das terras-raras leves nesses projetos, de 90%, em média, enquanto a demanda mundial pelas pesadas é maior e vem aumentando.

Ainda assim, a Vale não ­acredita em desabastecimento. Considerando apenas esses dois grandes projetos e a possibilidade de a China tornar-se autossuficiente — um cenário muito provável, segundo Ribeiro —, poderia haver, inclusive, sobreoferta. Mas ele advertiu os senadores de que esse e outros cenários são apenas um exercício, frente a um mercado tão afetado pelo avanço tecnológico.