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Risco de desabastecimento de terras-raras e a estocagem como forma de proteção

Minas de Steenkampskraal, na África do Sul, do conglomerado canadense GWMG:
países ricos buscam saída para o monopólio chinês (Foto: Adam Currie)

Em termos de produção e ­exportação, o mercado mundial de terras-raras pode ser dividido em três eras:

• pré-1965, em que vários produtores, entre eles o Brasil, supriam uma demanda pequena, de menos de 10 mil toneladas, basicamente restrita à indústria do petróleo e nuclear;

• o período entre 1965 e 1985, que já apresenta uma demanda bem maior, chegando a 40 mil toneladas, em grande parte suprida pelos EUA e sua mina de Mountain Pass;

• e, finalmente, a era atual, de completo domínio chinês do mercado, fornecendo quase todas as quase 140 mil toneladas usadas pelo mundo.

No que diz respeito à relação entre oferta e demanda, o risco de ter um desabastecimento no curto prazo é grande, afirma o estudo da Câmara dos ­Deputados. A China pode eliminar as operações ilegais e restringir as exportações ainda mais. Segundo a Industrial Minerals Company of Australia (Imcoa), em 2015 a demanda fora da China poderá chegar a 185 mil toneladas, enquanto a produção para exportação deverá atingir apenas 140 mil toneladas. Outros especialistas apostam numa ­demanda de 210 mil toneladas em 2015, o que obrigaria a China a ofertar 70 mil toneladas a mais.


Estoques

Outro indicador preocupante em termos de suprimento da crescente demanda mundial é a estocagem, em especial dos elementos de terras-raras pesadas — mais raros e de extração mais difícil, por geralmente estarem em baixa concentração. O estudo da Câmara aponta que China, Coreia do Sul e Japão estão estocando terras-raras, em vez de oferecê-las ao mercado, para garantir o atendimento da demanda interna por vários anos.

Isso também vem ocorrendo no Brasil. Segundo Edson Ribeiro, com a alta dos preços e a redução das exportações chinesas, o mercado começou, rapidamente, a criar estoques e isso incluiu o Brasil, com a Petrobras. “Começamos a comprar mais para poder garantir que haja estoque, uma vez que os volumes são pequenos.”