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Mercado das terras-raras é pequeno, mas altamente estratégico

As terras-raras formam um mercado pequeno e relativamente recente. Além disso, a brutal concentração da produção na China faz com que dados definitivos sobre produção, consumo e comercialização desses minerais sejam revisados a todo momento, com informações por vezes imprecisas ou incompletas.

Segundo estudo da Câmara dos Deputados, em 2011 foram comercializadas 158,2 mil toneladas de óxidos de terras-raras no mundo, o equivalente a uma quantia entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões. Apesar do crescimento nas últimas décadas, o mercado ainda é muito pequeno se comparado ao de petróleo, de cerca de US$ 3 trilhões, ou ao de minério de ferro, que movimenta aproximadamente US$ 200 bilhões por ano.

A dependência mundial em relação à produção chinesa preocupa principalmente os países com plataformas industriais avançadas, intensivas no uso de alta tecnologia — especialmente o Japão, que importa 82% de suas terras-raras da China, o que equivale a cerca de 40% das exportações chinesas. Já os Estados Unidos importam outros 18% do que os chineses produzem, de acordo com o estudo da consultoria da Câmara. Outros países se destacam na importação: Alemanha, França, Áustria, Estônia, China, Coreia do Sul, Brasil e Rússia.

Para o advogado Adriano Drummond Cançado Trindade, “o fato de o país depender da importação por si só não representa necessariamente um grande problema, desde que tenha segurança de fornecimento. O problema é que dependemos de uma única fonte, que tem estabelecido ­medidas que afetam a segurança do fornecimento, uma situação muito delicada”, avalia o especialista, que participou do debate com os senadores.

Para Adriano Trindade, depender das
importações não é, em si, um mal, desde
que o suprimento esteja assegurado
(Foto: Pedro França/Agência Senado)


Demanda

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), a demanda por terras-raras deve crescer em razão do contínuo aumento das aplicações. A demanda de ímãs permanentes, por exemplo, poderá aumentar à razão de 10% a 16% por ano, e a de catalisadores de automóveis e refino de petróleo deve crescer de 6% a 8% ao ano. O USGS prevê ainda aumentos de demanda de terras-raras para telas planas, motores de veículos e aplicações nas áreas médica e de defesa.

José Farias de Oliveira, professor do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), exemplifica que as inovações com terras-raras estão, inclusive, reinventando o trem. O novo trem que liga o centro de Xangai (China) ao aeroporto usa ímãs de terras-raras para levitar sobre os trilhos e, literalmente, voar a 430 quilômetros por hora.