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Gigante da mineração, a australiana Lynas Corporation também prepara um grande projeto de terras-raras

De acordo com José Farias de Oliveira, professor da Coppe, a empresa já investiu US$ 800 milhões no projeto da mina Mount Weld, na Austrália Ocidental, que tem potencial para atender todo o consumo mundial de terras-raras, desconsiderada a demanda chinesa.

Como a mina australiana é de monazita, que contém radiação (leia mais na pág. 16), o processamento do minério não será feito na Austrália, e sim no porto industrial de Kuatan, na Malásia, onde está sendo finalizada a construção da maior refinaria mundial de terras-raras — a primeira fora da China em quase 30 anos —, ao custo de US$ 230 milhões.

A Lynas argumenta que a construção e a operação da usina na Austrália custariam quatro vezes mais e, ainda assim, poderiam estar fora dos padrões ambientais do país. Por sua vez, o governo malaio ofereceu facilidades, inclusive isenção fiscal de 12 anos. Isso porque, a preços atuais, a refinaria pode gerar US$ 1,7 bilhão por ano em exportações a partir de 2013, ou quase 1% do PIB da Malásia.

Especialistas lembram a história da última refinaria de terras-raras da Malásia, operada pela japonesa ­Mitsubishi, hoje um dos maiores depósitos de lixo radioativo da Ásia. A Lynas rebate a comparação, afirmando que o minério importado da Austrália terá apenas entre 3% e 5% da concentração de tório encontrada nas minas da Mitsubishi.

Após dois anos de batalhas judiciais, o contrato com a Malásia garante à Lynas dois anos de operações e, enquanto isso, seguem as discussões sobre o destino dos rejeitos. A empresa declarou que pretende usá-los na fabricação de outros produtos para consumo na própria Malásia e para exportação.