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Gigante americana, Molycorp, reabre as portas e espera produzir 40 mil toneladas de terras-raras quando estiver em plena capacidade

Líder mundial de produção nos anos 80, a mina de Mountain Pass
está sendo revitalizada e ampliada pela Molycorp (Foto: Kyle Wiens)

Os Estados Unidos lideraram as exportações de terras-raras por 20 anos, no que ficou conhecido como a era Mountain Pass, nome da principal mina do país, na ­Califórnia. Na década de 80, os Estados Unidos chegaram a produzir 20 mil toneladas por ano.

Nos anos 90, porém, com o domínio da China, a mineração de terras-raras foi abandonada pelos Estados Unidos e apenas a empresa Molycorp seguia produzindo óxidos de neodímio, praseodímio e lantânio, a partir dos estoques de Mountain Pass, para processamento por outras empresas fora do território norte-americano.

Mas o drástico aumento de preços e as severas restrições chinesas às exportações acordaram os EUA para as cerca de 30 milhões de toneladas de terras-raras depositadas em Mountain Pass. A Molycorp retomou as atividades e planeja produzir um quilograma dos diversos elementos de terras-raras a um preço médio de US$ 2,77, custo bem abaixo dos US$ 5,58 obtidos pelas empresas que mineram na China.

A Molycorp espera voltar a produzir 20 mil toneladas anuais a partir deste ano e atingir 40 mil toneladas quando estiver em plena capacidade. Com 26 operações em 11 países e mais de 2.700 funcionários, a empresa vende produtos feitos a partir de 13 ­diferentes terras-raras, com níveis de pureza de até 6N (do inglês six nines, ou 99,9999%), e de nióbio, tântalo, gálio, índio, rênio e zircônio com pureza de até 8N (99,999999%).

A ideia é acabar com o monopólio na mineração e o domínio em toda a cadeia produtiva das terras-raras pela China. Especialistas do setor, no entanto, avaliam que, para a Molycorp passar da produção do minério bruto à oferta de metais puros e ligas, serão necessários vários anos, por requerer infraestrutura que já não existe em Mountain Pass e porque a propriedade intelectual de vários dos processos envolvidos já não é controlada pela empresa. Para contornar esses problemas, a empresa vem se associando a outras, como as japonesas Daido Steel e Mitsubishi Corporation.

A Molycorp também detém o controle da Molycorp Silmet AS, sediada na Estônia, uma das maiores produtoras de metais de terras-raras da Europa. Além disso, é dona da Molycorp Metals and Alloys, com sede no Arizona, uma das principais produtoras de ligas e metais de terras-raras de alta pureza fora da China.

Segundo afirmou Alair Veras, das Indústrias Nucleares do Brasil, “se está dando certo lá, é porque tem interesse do Estado na produção, para não ficar na mão da China. Os EUA já decidiram que não querem isso e não querem ser obrigados a transferir suas empresas de alta tecnologia para a China”.