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Cadeia de valor da produção mineral

A capacidade de mineração é apenas parte da solução. Alguns projetos podem suprir a demanda no curto prazo, mas o desafio no longo prazo para todos os países é construir uma cadeia produtiva própria, que minimizaria os riscos de a mineração ser inviabilizada por preços e demanda baixos.

Segundo José Guilherme da Rocha Cardoso, chefe do ­Departamento de Indústria de Base do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social ­(BNDES), “nesse setor, especificamente, talvez não seja uma boa atitude, nem mesmo empresarial, que uma companhia se atenha à exportação de concentrado ou de óxido. Pode ser que, por uma volatilidade de preço, aquele projeto não seja mais viável economicamente. Daí a importância de se ter a cadeia de valor da produção mineral”.

José Guilherme Cardoso, do BNDES, alerta
para a importância de ter a cadeia de valorna
produção dos elementos de terras-raras
(Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)

Nesse quesito, a China, mais uma vez, saiu na frente. Segundo relatório de 2010 do órgão central de estatísticas dos EUA (GAO, na sigla em inglês), o país produz cerca de 95% das matérias-primas de onde são extraídos os elementos de terras-raras e cerca de 97% dos óxidos de terras-raras. Além disso, aproximadamente 90% das ligas metálicas, 75% dos ímãs de neodímio (NdFeB) e 60% dos ímãs samário cobalto (SmCo) são produzidos na China. Apenas para ter uma ideia, nos Estados Unidos, por exemplo, somente uma empresa produz ímãs SmCo e nenhuma os do tipo NdFeB. Na produção dos ímãs são usados elementos como gadolínio, disprósio e itérbio, todos importados da China.


Parceria

A iniciativa privada já percebeu o problema e vem reagindo por meio de parcerias e fusões. Segundo apurou o estudo da Câmara, a Frontier Rare Earths, de Luxemburgo, proprietária da mina Zandkopsdrift, na África do Sul, formou uma joint venture com a Korea Resources Corp. para construir uma unidade de separação no país africano, por exemplo. A Lynas e a Siemens também constituíram uma joint venture, dessa vez para construir ímãs para geradores de turbinas eólicas. A Lynas fornecerá a matéria-prima extraída de sua mina em Mount Weld, na Austrália.

Empresas japonesas e o próprio governo do Japão também estão buscando associações. A Sumitomo Corp. e a ­Kazakhstan ­National Mining firmaram um acordo para produzir terras-raras leves, mesmo objetivo de parceria entre a Toyota e a Sojitz no ­Vietnã. A Japan Oil, Gas and Metals National Corporation ­(Jogmec) está se associando à Índia para explorar terras-raras e, para instalar sua unidade de processamento, está buscando investimento com a Lynas.