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Alta dos preços das terras-raras atingiu seu ápice e em 2011

Em meados da década passada, consolidado o domínio chinês do mercado de terras-raras — quando o país passou a figurar, ao mesmo tempo, como maior produtor, maior consumidor e maior exportador —, teve início uma escalada de preços. Em 2008, houve um primeiro pico, mas em 2011 os preços de alguns elementos saltaram até 600%.

Mesmo elementos de menor valor nominal, como as terras-raras leves praseodímio e neodímio, tiveram o preço elevado seis vezes. Já os óxidos dos elementos pesados, como disprósio e térbio, subiram 500% e 300%, respectivamente. Para ter uma ideia, os Estados Unidos, que em 2005 importaram 24 mil toneladas de terras-raras da China por US$ 42 milhões, em 2010 pagaram US$ 129 milhões por apenas 14 mil toneladas, ou seja, compraram 42% a menos por um preço 200% maior. Embora os preços tenham recuado desde 2011, ainda permanecem em patamares muito mais altos que os de 2002.

Os preços dos metais de terras-raras são tradicionalmente um pouco maiores que os dos respectivos óxidos e, em geral, os pesados — menos abundantes e de extração mais cara — são mais caros que os leves. A diferença de preços dos diversos elementos costuma ser gigantesca. O quilo do óxido de cério, por exemplo, foi comercializado em agosto de 2011 por US$ 150, enquanto a mesma quantidade de óxido de európio custava US$ 5.880.


Substituição

Segundo afirmou aos senadores o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Carlos Nogueira, além dos parâmetros de abundância ou raridade na natureza e da flutuação do consumo, o mercado reagiu à alta dos preços com a substituição. “Houve um grande esforço da indústria para procurar substituição ou redução. No catalisador de petróleo, pode-se trabalhar com cloreto de lantânio na faixa de 3,5% a 5% de concentração. Mas se trabalha muito bem com 3,5%. Então, as empresas produtoras de catalisadores começaram a produzir com 3,5%, reduzindo a compra”, afirmou.

O estudo da Câmara alerta para o fato de que o crescimento da demanda e as restrições às exportações feitas pela China devem manter os preços altos no curto prazo. No longo prazo, com o aumento da oferta previsto com as novas operações de empresas como Molycorp e Lynas, os preços tendem a cair para patamares compatíveis com os custos efetivos de produção e transporte.


Riscos e custos

Esse otimismo esbarra, no entanto, na possibilidade de um ­aumento bem maior da ­demanda, caso as chamadas economias emergentes, entre elas a China, sigam (ou voltem) a crescer em ritmo acelerado. O crescimento dessas economias, afirma o ­estudo da Câmara, em geral é mais intensivo em materiais que o dos países desenvolvidos, em razão da implantação de muitos e grandes projetos de infraestrutura. “Se os produtores de terras-raras tiverem dificuldade em acompanhar o crescimento da demanda, os preços poderão permanecer altos por mais tempo, principalmente para os elementos pesados”, avaliam os consultores.

Outro fator na formação dos preços que preocupa são os custos da extração mineral, em função da baixa concentração dos metais e do aumento dos custos de capital. Na China, a produção pode ficar mais cara também em razão do aumento dos custos de mão de obra e de questões ambientais e sociais.