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Governo tenta articular pesquisadores e empresas para voltar a produzir terras-raras

Mina de nióbio em Araxá (MG): empresa investe para produzir terras-raras reaproveitando o mesmo material (Foto: Reprodução/ZJ Mineração)

Em dezembro de 2010, um grupo com especialistas dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apresentou propostas de ações para que o Brasil possa voltar a produzir terras-raras e, também, os produtos de alta tecnologia em que são aplicadas.

Esse foi apenas o primeiro de uma série de esforços para reativar a exploração e o uso das terras-raras no Brasil. O Tribunal de Contas da União (TCU), o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do MCTI, o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem, que organizou o 1º Seminário Brasileiro de Terras-Raras em 2011 e prevê a realização do segundo em novembro deste ano), o Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados e a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação já mobilizaram técnicos para encontrar a melhor forma de organizar o setor no país.

“É necessário envolvimento do Congresso para viabilizar o uso das terras-raras, uma ação de governo integrada e forte, na qual a academia se envolva. E posso garantir: as empresas estão querendo implementar isso no Brasil. É uma grande chance que o país tem”, avalia Carlos Alberto Schneider, superintendente-geral da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi).

“O Parlamento está consciente da importância do tema e está tomando iniciativas para sugerir melhorias. A iniciativa privada também vai mostrar os projetos. Há um clima propício à retomada do tema”, confirma Fernando Lins, diretor do ­Cetem.


Projetos em andamento

Os empresários, realmente, já estão dando respostas às demandas do mercado. Projetos de exploração de terras-raras, com investimentos de centenas de milhões de reais, estão sendo desenvolvidos pela Mineração Serra Verde (que pertence ao grupo Mining Ventures Brasil), em Minaçu (GO), pela multinacional MbAC Fertilizantes e pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), ambas em Araxá (MG).

Paralelamente, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) encomendaram um ­estudo para implantação de um laboratório para produção de ímãs de alta potência à Fundação Certi, com a participação do Instituto Fraunhofer, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), do Cetem e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Segundo Paulo César Ribeiro Lima, consultor legislativo da Câmara, as Indústrias Metalúrgicas Pescarmona (Impsa), empresa argentina produtora de geradores eólicos, está negociando junto ao Programa Inova Energia, da Agência Brasileira de Inovação (Finep), um financiamento para construir uma fábrica de ímãs de terras-raras no Brasil.


Mundo reage

E não é só o Brasil que acordou diante do poderio da China. Projetos de exploração de terras-raras, muitos deles casados com a venda para as indústrias, já estão em andamento pelo mundo.

“Quem sair primeiro, depois da redução das exportações chinesas e do aumento do valor pela China, terá vantagens competitivas maiores”, avalia Carlos Nogueira, do Ministério de Minas e Energia.

“A indústria para a produção de terras-raras até chegar ao óxido é de capital intensivo. O projeto da Lynas [Corporation] tem US$ 700 milhões de investimento para produzir 22 mil toneladas de terras-raras por ano, sendo que 5% são terras-raras pesadas, que têm maior demanda, e 95% são terras-raras leves, que devem ter excesso de oferta”, afirma Edson Ribeiro, da Vale, citando um dos projetos mais adiantados, em andamento na Austrália.