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Brasil já foi maior produtor mundial de terras-raras

Apesar de o Brasil não ser mais um protagonista no mercado de terras-raras, o início da exploração mundial dos elementos começou aqui, nas praias de Cumuruxatiba, no sul da Bahia. Em 1886, descobriu-se que a areia do local era rica em terras-raras, cujas propriedades começavam a ser exploradas. Na época, elas eram usadas nas mantas de lampiões a gás (também chamadas de camisas), para que não se queimassem quando incandescentes.

Até 1915, graças às areias do litoral do norte do Rio de Janeiro até o sul da Bahia, o Brasil foi o maior fornecedor mundial de monazita, mineral que contém as terras-raras, e até 1945 alternou a posição de maior produtor mundial com a Índia. Nessa época, multiplicavam-se as aplicações, como em pedras de isqueiro, baterias recarregáveis, polimento de vidros e metalurgia.

A partir da monazita obtida na Usina de Praia, em São Francisco de Itabapoana (RJ), a empresa Orquima começou a fabricar compostos de terras-raras na década de 40 na Usina Santo Amaro, em São Paulo. A produção foi usada inclusive na construção do primeiro submarino nuclear dos Estados Unidos.


Fim em duas décadas

“Em 1946, o Brasil foi pioneiro, com a Orquima, a separar as primeiras terras-raras no mundo e a produzi-las industrialmente. Em 1956, o enfoque passou a ser urânio e tório. Perdeu-se o foco em terras-raras. A empresa não conseguiu se desenvolver nessa área”, narra Alair Veras, engenheiro químico das Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

A operação da Orquima coincidiu com o início da exploração de terras-raras em bastnasita, nas minas de Mountain Pass, na Califórnia (Estados Unidos), que abocanhariam mais da metade da produção mundial até meados da década de 80, quando a China entrou no mercado. Em duas décadas, os chineses, praticando preços muito baixos, decretariam o fim de praticamente todas as operações em outros países, suprindo a crescente demanda por terras-raras e as novas aplicações tecnológicas.

Após o choque de preços imposto pela China em 2011, o cenário é de retomada da produção no Brasil e em todo o mundo. A Molycorp, por exemplo, está retomando as atividades na Califórnia, nos EUA, que estavam interrompidas desde 2002.

Hoje museu, o primeiro submarino com propulsão nuclear, o Nautilus,
foi ao mar em 1954: uso de terras-raras brasileiras (Foto: Victor-NY)