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Relatórios avaliam as mudanças climáticas mundiais e as crises nos países em desenvolvimento


Crise ecológica

Relatório de Avaliação Ecossistêmica do Milênio, publicado pela ONU em 2005, avaliou que, em 50 anos, o ser humano transformou os ecossistemas mundiais de forma nunca antes vista na história da Humanidade. Produção de alimentos, extração de madeira, consumo de água potável e uso de combustíveis fósseis pelos países foram os principais responsáveis pela mudança. A exploração intensa da natureza causou aumento da pobreza para um contingente estimado em mais de 1 bilhão de pessoas, que tiveram sua subsistência ameaçada pela degradação ambiental das regiões onde vivem.


Crise energética

O aumento do consumo de energia nos últimos anos veio acompanhado de maior demanda por importação de combustíveis fósseis, como carvão mineral, petróleo e gás natural, ao mesmo tempo em que houve decréscimo na produção dos países exportadores, seja por diminuição das reservas, seja por outros fatores, como os conflitos na região do Golfo Pérsico. De acordo com Dietmar Dirmoser, em “Seguridad energética: la nueva escasez, el resurgimiento del nacionalismo y el futuro de los enfoques multilaterales”, outros fatores indicam aumento no risco de uma nova crise energética mundial, entre eles insuficiência na expansão da oferta, maior demanda por parte dos países emergentes e pouca diversidade de países fornecedores.


Crise econômica e financeira

A economia dos países continua a sentir os efeitos da crise mundial iniciada em 2008, que teve origem no sistema bancário norte-americano. “Estamos vivendo há anos a maior crise econômica desde 1929 e sequer começamos a enfrentar os grandes desequilíbrios macroeconômicos”, avaliou o economista e professor da PUC-Rio Sérgio Besserman.

O relatório Perspectivas Econômicas Globais (GEP) 2012, publicado em janeiro pelo Banco Mundial (Bird), alerta para o agravamento da crise econômica, sem previsão de recuperação imediata. O banco reduziu a previsão de crescimento para este ano de 6,2% para 5,4%, para os países em desenvolvimento, e de 2,7% para 1,4%, para os países desenvolvidos.

Diante disso, países em desenvolvimento devem se preparar para cenários mundiais desfavoráveis, aconselha o relatório, que recomenda investimento em redes de segurança social e em infraestrutura. “Uma expansão da crise não pouparia ninguém”, afirmou Andrew Burns, gerente de Macroeconomia Global, responsável pelo relatório.


Crise social

“Um quarto da população dos países em desenvolvimento ainda vive com menos de US$ 1,25 por dia. Um bilhão de pessoas carece de água potável, 1,6 bilhão de eletricidade e 3 bilhões de saneamento adequado. Um quarto de todas as crianças dos países em desenvolvimento sofre de desnutrição”, constata o Banco Mundial, no Relatório de Desenvolvimento Mundial de 2010, cujo tema é mudança climática. E reconhece que a solução dessa crise ficará mais difícil com os problemas gerados pelas mudanças climáticas.

Segundo estimativas do banco, de 75% a 80% dos custos de prejuízos causados pela mudança climática mundial recaem sobre países em desenvolvimento. Um aquecimento de 2 °C poderia resultar em reduções permanentes do PIB de 4% a 5% para a África e o Sudeste Asiático. “A maioria dos países em desenvolvimento carece de capacidade financeira e técnica para gerenciar um risco climático cada vez maior. Eles também dependem mais diretamente de recursos naturais para gerar renda e bem-estar”, avalia o relatório.


Escola na cidade de Kuito, Angola: as populações pobres são as que mais sofrerão com as mudanças climáticas (Foto: Rafaela Printes/Galeria Living in Kuito)

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