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Reduzir a degradação do meio ambiente no processo de crescimento dos países: diferenças e semelhanças entre os conceitos de ecodesenvolvimento e desenvolvimento sustentável


Floresta Amazônica: o ecodesenvolvimento tenta evitar erros do crescimento tradicional, que levaram à degradação ambiental (Foto: Ana Cotta)

O conceito de ecodesenvolvimento surgiu em 1972, durante a 1ª Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, como uma alternativa à polarização do debate entre as propostas ambientalistas, que visavam reduzir a degradação da natureza pela desaceleração do crescimento, e as reivindicações dos países pobres pelo desenvolvimento. O termo foi proposto pelo secretário-geral da conferência, o canadense Maurice Strong, que também foi o secretário-geral da Rio-92.

De acordo com o professor Philippe Pomier Layrargues, da Universidade de Brasília, o conceito de ecodesenvolvimento consistia em um estilo de desenvolvimento para áreas rurais baseado na utilização criteriosa dos recursos do meio ambiente. Era indicado aos países menos desenvolvidos de modo a evitar que eles copiassem o modelo de crescimento adotado pelos países industrializados.


De acordo com o professor Philippe Layrargues, um morador de
um país industrializado consome 80 vezes mais energia do que
um habitante da África Subsaariana (Foto: Elza Fiúza/ABr)

Na década de 1980, o economista Ignacy Sachs desenvolveu o termo, ancorando-o em três pilares: eficiência econômica, justiça social e prudência ecológica. O professor Layrargues explica: “Entre as condições para tornar o conceito operacional, destaca-se a necessidade do amplo conhecimento das culturas e dos ecossistemas, sobretudo em como as pessoas se relacionam com o ambiente e como elas enfrentam seus dilemas cotidianos; bem como o envolvimento dos cidadãos no planejamento das estratégias, pois eles são os maiores conhecedores da realidade local”.

Para o professor, existem semelhanças entre os conceitos de ecodesenvolvimento e desenvolvimento sustentável, como utilização concomitante de critérios ambientais e econômicos em processos decisórios. Mas, segundo ele, enquanto o ecodesenvolvimento postula o estabelecimento de um teto de consumo, buscando nivelar países ricos e pobres, o desenvolvimento sustentável defende um piso de consumo, sem considerar a poluição gerada pelo consumo excessivo.

Ao contrário do desenvolvimento sustentável, o ecodesenvolvimento alerta para o perigo da crença ilimitada na tecnologia moderna. De acordo com o professor Gilberto Montibeller Filho, da Universidade Federal de Santa Catarina, o segundo conceito pretende atender às necessidades básicas da população por meio de tecnologias apropriadas a cada ambiente, partindo do mais simples ao mais complexo.

“As disparidades entre os dois conceitos situam-se, principalmente, no campo político e em relação às técnicas de produção. No campo político, o posicionamento quanto à qualidade do meio ambiente e às diferenças sociais como elementos fundamentais a serem considerados. No das técnicas de produção, o progresso técnico e o seu papel em relação à pressão sobre os recursos naturais”, resumiu Montibeller.

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