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Ao contrário de outros países, Brasil não se preparou para envelhecer

De 1991 a 2008, número de idosos cresceu de 11 milhões para 19 milhões no Brasil. Projeções indicam que, até 2025, população vai envelhecer até chegar ao patamar de 15% do total de brasileiros. Modelo de outros países adota asilos como instituições de saúde

O envelhecimento da população brasileira ocorre a taxas aceleradas. Em 1991, eram 11 milhões de idosos. Passados 17 anos, a cifra subiu para 19 milhões. Estimativa de alguns especialistas prevê que 23 milhões de brasileiros terão mais de 60 anos em 2010. E, em 2025, as projeções calculam que serão 32 milhões de idosos, representando cerca de 15% da população brasileira.

Se a previsão se confirmar, o Brasil envelhecerá em 34 anos o que países europeus demoraram um século. Na França, por exemplo, a população idosa dobrou de 7% para 14% em cem anos.
Esse quadro só piora as dificuldades para  que o país consiga adequar suas políticas públicas e o atendimento em saúde para o idoso. Isso porque o país vai adiando o enfrentamento dessa realidade, o que está retratado nos poucos recursos públicos destinados a essa faixa da população. Em 2008, dos R$ 20 milhões previstos, só foram aplicados R$ 6 milhões.

Há poucos profissionais especializados, reduzida capacitação na rede básica do Sistema Único de Saúde (SUS) e falta conexão entre hospitais, postos de saúde e centros de atendimento especializado.

Além desse diagnóstico preocupante, aqui não existem – ao contrário do que ocorre na Finlândia, Noruega e Dinamarca – instituições de longa permanência para quem precisa de ajuda para atividades diárias, como tomar banho e se vestir. Naqueles países, os asilos são considerados instituições de saúde. No Brasil, possuem caráter assistencial, abrigando basicamente quem não tem moradia e renda, ou que só recebe o benefício de prestação continuada (previsto na Lei Orgânica da Assistência Social). Por essa razão, na maioria das vezes, os asilos parecem verdadeiros depósitos de velhos. E ainda assim são poucos. Na Suécia, cerca de 9% dos idosos moram nessas instituições. No Brasil, o índice é de 1%.

Canadá é modelo

Outro problema no atendimento ao idoso no país é a carência de uma rede estruturada e interconectada, como, por exemplo, a do Canadá. Ao contrário, os idosos brasileiros são atendidos pela rede básica, como os postos de saúde, e perambulam entre ela e os médicos especializados.

Se o cardiologista detecta osteoporose, por exemplo, o paciente é obrigado a retornar ao posto, que o encaminha ao reumatologista. Se este detectar hérnia de hiato e refluxo, o idoso volta novamente ao posto, para ser encaminhado ao gastroenterologista. Além disso, há poucos centros de referência.

No Canadá, os casos mais complexos – os cerca de 25% dos pacientes que sofrem de diabetes, hipertensão, artrose, osteoporose ou doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson – são encaminhados aos especialistas para um primeiro atendimento. Eles seguem depois para os serviços de reabilitação específicos. Lá, recebem treinamento para voltar a tomar banho e se vestir sozinhos, quando tiverem  doença que afete a memória, como o ­Alzheimer, mas ainda tiverem capacidade de ­locomoção.